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Ação do Bope acaba com oito mortes


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Rio - Oito homens, apontados como traficantes pela polícia, morreram ontem durante operação do Batalhão de Operações Policiais (Bope) no morro do Engenho, no bairro Engenho da Rainha, zona norte do Rio de Janeiro.

A ação teria o objetivo de capturar traficantes que fugiram da comunidade da Mangueira, também na zona norte, ocupada no domingo, para a instalação de uma Unidade de Polícia Pacificadora (UPP).

Na quarta-feira, duas operações da PM, no Rio e em Niterói, resultaram na morte de quatro homens, apontados também como traficantes.

Na ação de ontem, os suspeitos baleados, que não foram identificados no boletim de ocorrência, teriam trocado tiros com os policiais durante as incursões à comunidade, de acordo com a assessoria de imprensa do Bope.

"Todos foram encaminhados ao Hospital Municipal Salgado Filho, no Meier, mas não resistiram", informou.

A ação teve início na madrugada de ontem. Quatro equipes do Bope entraram na comunidade por vários locais, para verificar denúncias de tráfico de drogas. Foram apreendidas quantidades de cocaína, crack e óxi. Os militares também apreenderam dois fuzis, cinco pistolas, duas granadas e 239 munições.


Ocupação

Também na zona norte, policiais do 41º BPM (Irajá) ocuparam, na tarde de quarta, o morro do Juramento, em Vicente de Carvalho. Segundo o comandante do batalhão, tenente-coronel Alexandre Fontenelle, um dos objetivos era verificar se traficantes da Mangueira estariam se escondendo na comunidade.

"Como os dois morros ficam na zona norte e ambos são dominados pela mesma facção criminosa (Comando Vermelho), é possível que estejam aqui", afirmou.

A ação, que continuou hoje, também teve o objetivo de evitar movimentações de traficantes da região. "Fazemos esta operação sempre que há um feriado. Ontem, recebemos informações de uma movimentação grande de traficantes no interior da comunidade, então decidimos ocupar o Juramento", disse. Segundo ele, a comunidade é extensa e possui saídas para vários bairros, e por isso também foi feito um cerco nos arredores.

Quando os militares chegaram ao Juramento, na tarde de quarta, houve troca de tiros e um morador ficou ferido. Jorgemar Amâncio Gomes, de 47 anos, foi atingido no peito por uma bala perdida na Rua César Múzio, quando voltava para casa com a mulher e o filho.

Ele foi levado para o Hospital Estadual Getúlio Vargas, na Penha, onde foi operado. Segundo a secretaria estadual de Saúde, ele está na enfermaria, tem quadro estável e se recupera bem, mas não há previsão de alta.

Segundo o tenente-coronel, a situação no Juramento, é tranquila depois da ocupação. Os militares se instalaram em pelo menos três pontos estratégicos na comunidade, e não há previsão para o fim da ação.


Afastado do tráfico.

Foi identificado como Dirceu Custódio da Silva, 32 anos, um dos supostos traficantes mortos durante a operação do Bope.

Ainda sem saber como o filho morreu, o aposentado Iraquem Conceição da Silva, 70 anos, disse à reportagem que Silva já tinha sido preso por envolvimento com o tráfico, mas se afastou do crime.

"A gente mora na Fazendinha [subúrbio do Rio] e ele saiu de casa para um baile. Até agora não sei nem como ele morreu. A polícia não me disse nada", contou o aposentado.

Além de Dirceu, outros sete supostos traficantes morreram na operação. Segundo a Polícia Militar, um dos tiroteios aconteceu na rua Guarabu, por volta das 23h40. Três suspeitos foram feridos e encaminhados para o Hospital Salgado Filho, mas não resistiram. Com o trio, a polícia encontrou dois fuzis e 14 carregadores.

Momentos depois, policiais do Bope voltaram a ser recebidos por tiros em outra localidade do morro. Houve tiroteio e cinco suspeitos foram feridos. Eles também foram socorridos, mas morreram. Com eles, foram apreendidas duas granadas e três pistolas.

De acordo com a relações públicas da corporação, tenente Marlisa Neves, a operação foi pontual para checar informações sobre o tráfico.

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