Washington - Horas depois dos Estados Unidos anunciarem seu plano de retirada parcial das tropas no Afeganistão, a França, a Alemanha e o Reino Unido reiteraram os seus cronogramas para trazer os militares para casa.
O presidente francês, Nicolas Sarkozy, disse que a França vai tirar seus 4 mil militares no Afeganistão seguindo o mesmo cronograma dos EUA. Ao menos 10 mil militares retornarão aos EUA ainda neste ano. Outros 23 mil americanos devem encerrar sua participação na guerra até setembro de 2012.
Em comunicado, Sarkozy disse que conversou com Obama sobre a retirada americana diante do "progresso obtido no Afeganistão". O presidente francês diz concordar com a estratégia americana e ressaltou o sucesso na luta contra o terrorismo e a morte do líder da rede terrorista Al- Qaeda, Osama Bin Laden -um dos principais argumentos dos defensores de uma retirada rápida do país.
Sarkozy confirmou que a França vai permanecer completamente engajada com seus aliados e ao lado do povo afegão no processo de transição.
As tropas francesas ficam principalmente no leste da província de Kapisa e perto da capital Cabul. O país está no Afeganistão desde 2001 e perdeu 62 militares. Sarkozy não deu detalhes sobre os números da retirada francesa.
Reino Unido: britânicos sairão até 2015
Washington - chanceler britânico, William Hague, aproveitou o anúncio norte-americano para enviar uma mensagem firme sobre a retirada dos britânicos do país, dizendo que as tropas de combate sairão até 2015, "sem se, sem mas".
"Nós dissemos que até 2015 as tropas britânicas não estarão mais engajadas em combate no Afeganistão ou na quantidade que elas estão agora", disse à rede BBC.
"O que acontecer entre agora e 2015 depende das condições no terreno e nossa contínua avaliação. Uma das condições é que até 2015 nós alcançamos aquele ponto... Eu posso dizer não há "ses" nem "mas" sobre isso", completou.
O premiê David Cameron também aproveitou o discurso de Obama para confirmar que cerca de 450 dos 9.500 soldados britânicos vão deixar o país no curto prazo.
Por sua vez, o chanceler alemão, Guido Westerwelle, comemorou o anúncio de Obama e disse que o país divide o objetivo de reduzir seu contingente de 4.900 homens no Afeganistão até o fim do ano.
A Alemanha, contudo, ainda não detalhou uma estratégia para a retirada.
Retirada é mais arriscada do que EUA planejavam
Washington - O chefe das Forças Armadas dos EUA, almirante Mike Mullen, disse ontem que os planos do presidente Barack Obama para a retirada parcial das tropas no Afeganistão "são maiores e incorrem em mais riscos do que eu estava inicialmente preparado para aceitar."
Obama anunciou anteontem que ao menos 10 mil militares retornarão aos EUA ainda neste ano. Outros 23 mil devem encerrar sua participação na guerra até setembro de 2012. Mullen ressaltou, contudo, que cabe ao presidente decidir qual é o nível de risco aceitável para o país assumir.
Mullen disse não querer discutir os conselhos que deu a Obama antes do anúncio da decisão, mas reiterou que apoia o plano de retirada apresentado pelo presidente.
O presidente do Afeganistão, Hamid Karzai, também comemorou a retirada como benéfica para ambos os países e garantiu que suas forças de segurança serão capazes de assumir a tarefa de combater o Taleban.
Plano dos EUA
Até então sabia-se dos planos de retirar ao menos 33 mil homens até o prazo final de 2012 mas as pressões dos congressistas e da opinião pública levaram o presidente a optar por uma saída mais rápida.
Os EUA mantêm no total cerca de 100 mil militares em suas operações no país, iniciadas há quase dez anos. a guerra matou ao menos 1.500 membros dos militares dos EUA e feriu outros 12 mil. O custo financeiro da guerra já passou de US$ 440 bilhões e está aumentando, com uma média de US$ 120 bilhões ao ano.
O plano detalhado pelo presidente Barack Obama aponta que a volta dos 10 mil soldados norte-americanos começa já no mês de julho, e termina até dezembro.
Os outros 23 mil homens devem voltar até setembro de 2012, enquanto o retorno total dos cerca de 100 mil soldados norte-americanos no país deve ser completado até 2014 - quando a segurança do país será entregue integralmente ao governo afegão.
O presidente dos EUA disse ainda que uma conferência de todos os membros da Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan) será realizada em maio de 2012 em Chicago, para acertar o fim das operações de todos os aliados no Afeganistão.