Com a chegada do trio santista Paulo Henrique Ganso, Elano e Neymar, a Seleção treinou completa pela primeira vez desde que chegou à Argentina. O primeiro dia de Paulo Henrique Ganso com a Seleção foi intenso. Apontado por Robinho como o novo titular da camisa 10 da equipe, o meia-atacante do Santos chegou a Campana no início da madrugada de ontem.
Seguiu para o quarto do Hotel Sofitel e, pela manhã, já estava ao lado dos demais colegas para fazer exercícios de musculação. Logo na primeira conversa com o staff da comissão técnica da Seleção, recebeu os parabéns pelo título da Copa Libertadores da América e um pequeno "puxão de orelhas" por ter se atrasado na apresentação.
Ganso perdeu o voo que o levaria de São Paulo para Buenos Aires em companhia de Neymar e Elano. Alegou que dois pneus de seu carro estouraram a caminho do Aeroporto Internacional de Cumbica, em Guarulhos (Grande São Paulo). "Eu estava na rodovia Anchieta (que liga o litoral à capital paulista) quando houve o problema. Não tinha como consertar", contou, em rápida entrevista, já na Argentina.
Depois de saudado pelos demais jogadores da Seleção pela conquista do Santos, Paulo Henrique Ganso participou de boa parte do treino da tarde, no próprio hotel que hospeda a delegação. Ficou uma hora em campo, assim como Elano e Neymar. Esteve bem, correu normalmente e não pareceu apresentar cansaço. "Minha expectativa com a Copa América é muito grande, quero com os novos companheiros fazer história na Seleção", declarou o santista. "Vou tentar fazer jus à mística da camisa 10 do Brasil".
A Seleção começou a treinar na Argentina na última quarta. A estreia da equipe na competição vai ser no dia 3 de julho contra a Venezuela. Paulo Henrique Ganso comentou também que sentiu "uma dor normal" após a vitória do Santos sobre o Peñarol, na noite de quarta, na decisão da Libertadores. Ele ficou fora do primeiro jogo da final, uma semana antes, por causa de uma lesão muscular na coxa direita.
Ontem, por meio de sua conta no Twitter, o jogador desmentiu informação publicada no jornal italiano La Gazzetta dello Sport de que seu desejo seria o de se apresentar ao Milan em janeiro, logo depois do Mundial de Clubes da Fifa, no Japão.
Neymar humilde
Neymar chegou à concentração da Seleção Brasileira, na Argentina, nesta sexta-feira, inflado por ter levado o Santos ao tri da Copa Libertadores. O status do menino é de estrela. Mas o atacante resolveu adotar a linha da humildade em vez de assumir o papel central no que diz respeito à sua responsabilidade enquanto um dos principais craques da Seleção.
O santista preferiu não tomar para si a tarefa de ser um dos principais jogadores do time - papel que, por suas atuações, já lhe foi atribuído pela mídia e pela torcida brasileiras. Ao ser questionado se ele tinha noção dessa importância que tem na Seleção, Neymar desconversou: "Sou só mais um, estou aqui só pra ajudar". Diante da insistência com a pergunta, ele reforçou sua fala humilde. "Eu vim até aqui pra ser mais um e ajudar a Seleção Brasileira. Eu venho para jogar o mesmo que venho fazendo no Santos. Quero ser feliz aqui. A melhor coisa que tem é representar o seu país jogando futebol".
Porém, o garoto que liderou o Santos à conquista da Libertadores, marcando seis gols na competição - um deles, o primeiro na final -, assegurou que vai procurar seguir os mesmos preceitos que norteiam a sua carreira no clube e que estão impressos em suas chuteiras através de duas palavras que, segundo o próprio Neymar, resumem seu jeito de jogar: "alegria e ousadia". "Eu sempre levo alegria e ousadia para jogar futebol. O que eu venho fazendo no Santos eu quero fazer na Seleção também".