Tribuna do Leitor

Lixo no lixo ou no chão?


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Quando alguém se desfaz de um simples papel de bala atirando-o pelo vidro do carro ou de lado, na rua, acredita que um a mais não fará diferença. Acontece que milhares de pessoas pensam assim todo dia. E milhares de papéis fazem uma enorme diferença.

Num tempo em que se discutem questões de sustentabilidade avançadas, tecnologias limpas e redução de poluentes em escala industrial, existem pessoas que ainda não conseguem (sequer) jogar lixo no lixo. Parece-me que isso representa um enorme sacrifício.

O mesmo acontece com bitucas de cigarro, tão naturalmente lançadas com o dedo do meio. Uma única bituca polui valiosos litros de água, quando chega ao rio com a enxurrada. E ninguém se importa com isso. Apagar a bituca e jogá-la no lixo dá muito trabalho?

O biólogo Raphael Oliveira, meu amigo, contou-me algo interessante. Disse que, ao ver um homem atirando um plástico pelo vidro do carro, parado no sinal, recolheu-o do chão, foi até a janela do veículo e disse: "Com licença, acho que o senhor deixou cair isto aqui". O indivíduo pegou o plástico e agradeceu, meio sem entender. Obviamente se sentiu espantado e constrangido. Certamente pensará duas vezes na próxima vez que tiver lixo nas mãos. Cada um seguiu seu caminho, sem utilizarem qualquer tipo de agressividade ou violência. Que este simples gesto possa inspirar a nossa árdua e difícil tarefa de jogar o lixo no lugar certo.

Luiz Fernando Ramalho

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