Saúde

PUC também estuda o futuro


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Criado em 1996, o Projeto Millenium, do qual o pesquisador venezuelano faz parte, reúne pesquisadores de 40 países. No Brasil, o projeto é representado desde 2001 pelo Núcleo de Estudos do Futuro (NEF), que funciona na Pontifícia Universidade Católica (PUC) de São Paulo.

Embora também se dedique a estudar o futuro, o presidente do núcleo brasileiro, Arnoldo de Hoyos, discorda de Cordeiro quanto à juventude eterna. "Essa busca da fonte da juventude não é nova. Quem vai querer viver 150 anos sem qualidade?", questiona.

Na opinião dele, o País tem outros desafios a serem vencidos e que são prioritários, como analisar as mudanças climáticas e desigualdades sociais para os próximos 20 anos. "Mais do que robotizar-nos, o que precisamos é humanizar-nos", acredita Hoyos

Genoma por R$ 15,00

Desvendar o conjunto de genes que constituem o organismo humano, o genoma, é o ponto de apoio da medicina do futuro e dos mais promissores tratamentos, segundo o futurólogo José Luís Cordeiro. Na avaliação dele, a medicina está se tornando "uma tecnologia da informação". E, nesse sentido, o banco de dados está no próprio genoma - uma estrutura que, em dez anos, deverá ser completamente sequenciada, ou seja, decifrada.

"Lágrima, sangue, saliva, fio de cabelo, qualquer célula de uma pessoa tem todo o seu genoma", diz o pesquisador, lembrando que para fazer a sequência do primeiro genoma humano, em 1990, foram necessários 13 anos e investimento de US$ 1 bilhão. "Em 2020 ele vai custar US$ 10 (cerca de R$ 15) e ficará pronto em 1 hora."

Cordeiro vai mais longe quando fala em clonagem humana e afirma que a habilidade para criar a vida já foi provada. "Computadores estão sendo construídos com o mesmo poder de processamento do cérebro humano. O cérebro é um computador biológico", define, acrescentando que sinergias entre nanotecnologia, biotecnologia, tecnologias da informação, ciências cognitivas e tecnologias quânticas vão mudar o curso da história da civilização em um futuro não muito distante.

Fundador do Instituto de Medicina Integrada, Fisiologia e Nutrologia Esportiva Health4Life e membro titular do International Institute of Sports Nutrition And Human Performance (EUA), o especialista em medicina anti-aging Mohamad Barakat não vê exageros nas afirmações feitas pelo pesquisador venezuelano.

"Na Roma antiga os homens não passavam dos 20 anos, a expectativa de vida hoje é de 85 anos (em alguns países) e não vejo dificuldade em passar dos 100", diz. "Quem, há 50 anos, imaginaria que teríamos transplante de coração e, há 20, que isso seria feito pelo SUS (Sistema Único de Saúde)?"

De acordo com Barakat, o homem aprendeu a gostar de viver e tem "persistido no assunto". É por isso, segundo ele, que as pesquisas continuam. A questão, diz, é o custo dessa vida prolongada, já que o perfil de envelhecimento tem sido cada vez mais precoce em pessoas que se alimentam mal, dormem mal e ainda levam uma vida sedentária.

"Envelhecer é normal, aceitar a velhice, não". É o que costuma dizer Barakat aos pacientes que o procuram em busca de tratamento anti-aging. Por meio da medicina que pratica, o nutrólogo acredita estar ajudando pessoas a recuperarem a energia que tinham na juventude.

A professora aposentada Lígia Cavalcanti, de 57 anos, é uma das adeptas da medicina anti-aging. Ela conta que passou a sentir-se com mais energia após tirar açúcar e gordura de sua alimentação e iniciar uma reposição hormonal preventiva, há cinco meses. "Não é todo mundo da minha idade que tem o pique que eu tenho", diz. Antes desanimada, após o tratamento voltou a praticar musculação, corrida e natação, como se tivesse 25 anos.

Vida longa


- Em agosto de 2010, a população brasileira era de 190.732.694 pessoas, de acordo com o Censo do IBGE. Comparado ao Censo 2000, o aumento populacional foi de 20.933.524 pessoas - crescimento de 12,3% no período.

- Em 2009, a expectativa de vida no Brasil ao nascer era de 73,17 anos. Ao longo de 29 anos, a expectativa de vida do brasileiro aumentou, em média, 4 meses e 12 dias anualmente.

- A mortalidade infantil caiu de 69,12 para 22,47 óbitos por 1 mil nascidos vivos desde 1980.

- Até o ano 2050, a média de idade do brasileiro poderá chegar a 81,29 anos.

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