Foi por pouco que Cláudya Toledo não nasceu no Dia dos Namorados. Em 11 de junho de 1966, ela veio ao mundo. O fato de não ter sido na romântica data não a impediu de crescer apaixonada pelo amor. "Aos 15 anos, fui cupido pela primeira vez", conta. Detalhe: ela uniu o primeiro namorado a uma grande amiga. A dupla não está mais junta, mas permaneceu casada por 14 anos e teve dois filhos. Mas isso foi apenas o começo.
Depois da amiga, foi a vez do irmão, da irmã e de muitas outras pessoas. Atualmente, aos 45 anos, ela comanda com humor e delicadeza a A2 Encontros, agência especializada em unir pessoas. Com sede em Campinas e unidades em São Paulo, Santos, Belo Horizonte, Curitiba e no Rio, ela ajudou mais de quatro mil pessoas a encontrar a cara metade. "Mas esse número diz respeito aos últimos nove anos, porque antes registrávamos tudo em fichas". A A2 está há 20 anos no mercado.
A vocação para reunir pessoas compatíveis ganhou força quando, depois de se formar em Publicidade e Propaganda na PUC de Campinas, ela se mudou para Paris, na França, onde trabalhou como modelo por três anos e meio. "Eu atuava como manequim". Aos 20 e poucos anos, longe do Brasil, ela notou que suas colegas costumavam conhecer os namorados por meio de agências de encontro. Com essa ideia na cabeça, Cláudya retornou e logo conheceu seu grande amor. E sem a ajuda de nenhum cupido.
Numa viagem de Carnaval ao litoral de São Paulo, ela e uma amiga acabaram não tendo como voltar à cidade no fim do feriado. "Aí, a amiga que estava comigo me disse: ?Você, que é bonita, pede carona?". Ela pediu. Só teve coragem de entrar no terceiro carro que parou. Os dois rapazes pareceram simpáticos. Não demorou para que começassem a conversar. E um dos rapazes falou: "Nossa, meu amigo só namora Cláudias, loiras, altas e de cabelo liso. Você é a próxima", anunciou o jovem sentado no banco do carona. Quando pararam numa pizzaria, Márcio Simões, o motorista, já estava encantado por ela. Alguns desencontros depois e muitas coincidências - ele morava na mesma rua do tio da ex-modelo e era amigo do primo dela, e nunca mais se desgrudaram. Estão juntos há 20 anos e têm dois filhos: Juan, 13, e Priscila, 9 anos.
Feliz com seu romance, Cláudya achou que estava na hora de dividir esse sentimento. E assim nasceu a A2. Hoje, são 77 mil cadastrados no Brasil. Pessoas que investem de R$ 1.800 a R$ 18 mil (o contrato é de 18 meses e o preço varia em função das exigências do candidato) na busca por um relacionamento. "Quando começamos, atendíamos a pessoas na casa dos 40 anos, que vinham de um casamento. Agora, nossa faixa vai de 25 a 50 anos", conta a cupido. O primeiro passo para quem deseja conhecer pessoas por meio da A2 é se cadastrar no site da empresa.
Em seguida, uma entrevista é agendada. "Cada caso é um caso, depende do que a pessoa procura", diz ela, sobre os diferentes tipos de direcionamentos da A2. De acordo com Cláudya, essa história de que hoje em dia está complicado viver um amor é balela. "A dificuldade está na falta de tempo das pessoas e na busca em lugares errados".
Acostumada com vários tipos de perfis, Cláudya garante que todas as pessoas já enfrentaram problemas amorosos. "Em dois minutos, uma pessoa acaba me contando tudo e chorando na minha frente." E não é difícil mesmo se abrir com ela. Sentada num confortável escritório na Vila Mariana, bairro localizado na zona sul da capital paulista, ela se anima e se emociona ao falar de amor. "Divulgar o amor é minha missão de vida. Acredito tanto nesse sentimento que tenho até dificuldade em outras áreas da minha vida", diz. "O grande desafio da humanidade é o emocional. A gente muda a vida inteira por um grande amor. O amor é um milagre na vida de qualquer um. Mesmo quando as coisas não dão certo, ganha quem ama. Quem ama é sempre o sortudo da história". Sorte dos apaixonados.
E Cláudya os uniu
A bancária Sandra Leitão Teixeira, 41 anos, cadastrou-se na agência dela em dezembro de 2006, decidida a encontrar sua cara metade. "Conheci várias pessoas e recebi o perfil do Eduardo Svtrak, 39. Concordamos em nos conhecer em 27 de maio de 2007", lembra.
No segundo encontro, Eduardo a pediu em namoro. "Foi tudo muito rápido. Em 26 de abril de 2008, nos casamos". Em janeiro deste ano, Sandra deu à luz Celina. Além do relacionamento que deu certo, ela declara que aprendeu muito com a experiência vivida na agência.
"A vida é simples e nós a complicamos", diz Sandra. Mauro Alexandre Prestes, 36, tem uma história parecida para contar. Ele conheceu sua mulher, a empresária Marcia Scalice Nunes, 39, em 20 de janeiro de 2006. "A agência enviou meu perfil para ela analisar. Numa sexta à tarde, fiquei sabendo que ela queria me conhecer. Liguei e ficamos conversando um tempão. Marcamos um encontro para a mesma noite". No dia seguinte, já estavam namorando. A dupla se casou em fevereiro do ano passado, mas já divide o mesmo teto desde de 2006.