Bairros

Pequenos atletas, grandes adultos

Wanessa Ferrari
| Tempo de leitura: 4 min

Eles mal começam a engatinhar e já sabem brincar com a bola. Antes mesmo de andar, tentam correr. E quando chegam aos 6 ou 7 anos de idade, já enjoaram do solo. Preferem a água das piscinas ou o céu, que é desafiado, sem medo, pelos esportes acrobáticos.

Com energia para dar e vender, não há como contestar que a infância é o período ideal para introduzir os pequenos na prática de esportes. Prova é que, mesmo nas manhãs mais geladas de inverno, eles não se intimidam, abandonam a cama cedo e, muitas vezes, atravessam vários bairros da cidade até chegar ao local onde o treino é realizado.

Mas se engana quem pensa que os benefícios se limitam aos gastos de energia. De acordo com Júlio Wilson dos Santos, professor do curso de educação física da Universidade Estadual Paulista (Unesp) de Bauru, a prática de esportes na infância traz muitos benesses à saúde, ajuda no combate à obesidade, no desenvolvimento de habilidades motoras, na sociabilização e na formação de caráter.

"Quando uma criança começa a praticar um esporte, aprende a lidar com regras e limites, desenvolve a cooperação e o respeito, ou seja, passa a ter noções importantes para uma boa vida adulta", explica o professor.

Além disso, a prática de esportes na infância influencia também na formação do aspecto psicológico da criança. A psicopedagoga Gisele Aparecida de Freitas Oliveira explica que o esporte estimula a atenção e a concentração e favorece na aprendizagem de modo geral.

"Quando uma criança pratica determinada atividade, passa a ter uma rotina, composta por dias e horários estabelecidos de treino. Além disso, passa a fazer parte de um grupo. Esses compromissos dão a ela as primeiras noções de responsabilidade que, mais tarde, na vida adulta, farão toda diferença", avalia Gisele.

Ela aponta que crianças que praticam esportes na infância se tornam adultos organizados, com comportamento mais adequado, felizes e com bons hábitos.

Embora os benefícios da prática de esportes na infância sejam muitos, é preciso cautela. Isso porque, até os 12 anos de idade, o objetivo da prática deve ser, principalmente, recreacional, já que nesta fase a criança não enxerga o esporte como uma possibilidade profissional mas, sim, está em busca de convívio social e diversão.

"Os pais precisam estar atentos e, jamais, cobrar prematuramente de seus filhos uma postura de atleta profissional ou de competidor. Este tipo de atitude, geralmente, gera o efeito contrário e faz com que a criança abandone a modalidade", orienta Júlio.

Outro ponto a ser considerado é que, dificilmente, é possível detectar na infância quem serão os atletas de alto rendimento. Isso porque, segundo Júlio Wilson, muitos atletas que são campeões juvenis não se tornam campeões na fase adulta.

"Não dá para saber. Somente a partir dos 12 anos é que dá para se ter uma ideia de quem tem realmente de destaca no grupo", explica o educador físico.

Ainda assim, o secretário municipal de Esportes e Lazer, José Carlos Batata defende que é dever do município permitir que as crianças tenham a chance de se arriscar no esporte e possam escolher qual caminho a seguir.

"O esporte tem papel fundamental na formação do cidadão e proporciona saúde, longevidade, inserção social, recuperação moral, autoestima e convívio em sociedade. Além disso, ajuda a descobrir novos talentos", define.

____________________

É preciso evoluir


Atualmente, a Secretaria Municipal de Esportes e Lazer (Semel) oferece, gratuitamente, aulas de atletismo, natação, tênis de mesa, xadrez, basquete, futebol, futsal, karatê, handebol, kung fu, polo aquático, judô, ginástica artística e kickboxing. Para isso, tem polos instalados em cerca de 30 bairros da cidade, contando com os do Projeto Segundo Tempo, e atende a aproximadamente 8 mil crianças.

Embora a variedade possa parecer grande, o fato de algumas modalidades estarem concentradas em determinados bairros, como a ginástica artística, por exemplo, que só é oferecida na Vila Industrial, limita a opção da criançada que, muitas vezes, não tem como se deslocar até o local onde o esporte é oferecido.

Além disso, nem sempre as condições de conservação dos locais e dos equipamentos disponibilizados para as aulas é a ideal. Durante a semana, a equipe do Jornal da Cidade percorreu diversos bairros, visitou alguns destes polos e constatou problemas que vão do mato alto à má conservação dos campos.

No Centro Social Urbano (CSU), localizado no Jardim Bela Vista, onde são ministradas aulas de handebol, por exemplo, as bolas utilizadas no treino estavam gastas e murchas. Já no Campo do Oriente, no Jardim Petrópolis, os muros destruídos, o gramado em estado precário e a terra batida intercalada com sujeira denunciavam o abandono.

"Se quisermos treinar aqui, temos de botar a mão na massa, rastelar e varrer o campo", afirma Alcides dos Santos Gonçalves, conhecido como Cabo Alcides.
Em tempo, vale ressaltar que muito do que se tem na cidade hoje é graças ao trabalho de voluntários, como as amigas Aline Silveira de Moraes e Francine Costa Monteiro, que dão aulas de handebol, e como Jair Sanches, técnico de futebol. Juntos, eles dão show de bola.

Serviço

Interessados em participar das modalidades oferecidas pela Secretaria Municipal de Esportes e Lazer (Semel) podem entrar em contato na Secretaria pelo telefone (14) 3232-4343. Todas as atividades são gratuitas.

Comentários

Comentários