Campinas - O líder sem-terra José Rainha Júnior teve a prisão preventiva decretada ontem pela Justiça Federal. Ele já estava na prisão, mas seria solto ontem, quando termina o prazo da prisão temporária. Rainha é acusado de desvio de verbas do governo federal.
Uma operação da Polícia Federal em Presidente Prudente (558 km de São Paulo), em 16 de junho, prendeu outras oito pessoas, incluindo o irmão do militante, Roberto Rainha, que deve ser solto hoje, de acordo com o advogado dele, Aton Fon Filho.
A reportagem não conseguiu confirmar as informações com a 5.ª Vara Criminal da Justiça Federal de Presidente Prudente, que é o responsável pela decisão.
"Agora, dependemos de ter acesso ao novo decreto para verificar como entrar com novo pedido [de habeas corpus]", afirmou Fon Filho.
Os irmãos continuam na sede da PF em São Paulo. Ambos negam a participação no esquema de desvio, segundo o advogado. "As acusações ainda não foram formalizadas em processo, onde serão discutidas", disse. "O José Rainha volta a ter defesa própria, que é seu irmão Roberto. Prendê-lo foi também uma forma de prejudicar a defesa."
Um dos principais auxiliares de José Rainha, Claudemir Silva Novaes, também teve a prisão preventiva decretada. A reportagem não localizou sua defesa.
Investigações
As prisões decorrem de uma investigação que apontou o uso de associações civis para o desvio de verbas federais destinadas a assentamentos na região do Pontal do Paranapanema (SP). A polícia apura irregularidades em repasses que somam R$ 5 milhões.
Expulso do MST (Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra) em 2007, José Rainha Júnior continuou comandando invasões de terras com a bandeira do movimento. Ele já havia sido preso anteriormente sob acusação de furto, formação de quadrilha, coautoria em dois homicídios e porte ilegal de arma, entre outros crimes.