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Morre ex-ministro Paulo Renato Souza, criador do Enem


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São Paulo - Morreu, aos 65 anos, vítima de enfarte fulminante, no final da noite de anteontem, em São Roque, interior paulista, o ex-ministro da Educação Paulo Renato Souza. Paulo Renato, que, segundo sua assessoria de imprensa, vinha enfrentando problemas cardíacos, passava o feriado prolongado de Corpus Christi ao lado de familiares em um hotel da cidade quando começou a se sentir mal.

Ele ainda foi encaminhado ao Hospital Unimed, no Jardim Lourdes, mas já teria chegado morto. O velório do ex-ministro está sendo realizado, na Assembleia Legislativa de São Paulo (Alesp). O enterro está previsto para hoje, às 10h, no Cemitério do Morumbi.

Economista, Paulo Renato foi ministro da Educação durante o governo de Fernando Henrique Cardoso, entre 1º de janeiro de 1995 a 31 de dezembro de 2002. Também ocupou outros cargos públicos e executivos no Brasil e no Exterior, incluindo o de gerente de Operações do Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID), em Washington, o de secretário da Educação do Estado de São Paulo, entre 1984 e 1986, no governo Franco Montoro, e o de reitor da Universidade Estadual de Campinas, entre 1987 e 1991, durante o governo de Orestes Quércia.

A presidente Dilma Rousseff emitiu uma nota na qual destacou "relevantes serviços" prestados ao País. Ontem, foi lembrado por suas ações à frente do Ministério da Educação, pasta que chefiou nos dois mandatos de FHC, como a criação do Enem (Exame Nacional de Ensino Médio) e do Fundef (Fundo de Manutenção e Desenvolvimento do Ensino Fundamental e de Valorização do Magistério), hoje chamado de Fundeb (Fundo de Manutenção e Desenvolvimento da Educação Básica).

O governador do Estado, Geraldo Alckmin, esteve ontem no velório e destacou que Paulo Renato dedicou sua vida política à melhoria da educação no Brasil. "Reitor, secretário e ministro, homem que universalizou, com políticas públicas sérias, como o Fundef, o acesso ao ensino fundamental no Brasil", elogiou, lamentando sua morte.

O prefeito de São Paulo, Gilberto Kassab disse que o Paulo Renato morreu jovem, mas deixou uma série de ensinamentos. "Foi um exemplo de vida e de profissão, e devemos aproveitar seus ensinamentos para fazer um Brasil melhor", afirmou.

O ministro da Justiça, José Eduardo Cardozo (PT) disse que tinha uma amizade muito grande com o ex-ministro, apesar de atuarem em campos políticos opostos, destacando que respeitava as ideias do Paulo Renato. "Fui, durante muitos anos, deputado junto com o Paulo. Sempre o considerei um adversário, nunca um inimigo. Era um adversário que discutia ideias com coerência e vigor, mas uma pessoa que tinha a causa pública como a dimensão maior de sua vida."

Entre os tucanos que estiveram ontem no velório de Paulo Renato estão o secretário de Energia do governo paulista, José Aníbal, o secretário de Gestão, Júlio Semeghini, e o secretário de Cultura, Andrea Matarazzo, além do deputado federal Arlindo Chinaglia (PT-SP) e do presidente do Conselho Estadual de Educação, Hubert Alquéres. Em sua página no microblog Twitter, Alquéres escreveu que o País perdeu um homem de grande espírito público. "Paulo Renato Souza também era leal, correto e dono de um caráter admirável. Grande perda para o Brasil", lamentou.

O ex-presidente Fernando Henrique Cardoso também esteve no velório. "Era amigo, foi um grande ministro. Precisa-se dizer também que ele mudou a educação no Brasil. É uma perda imensa."

Em sua página no Twitter, o ex-governador José Serra escreveu ontem: "Foi-se Paulo Renato, meu querido amigo, um dos maiores homens públicos do Brasil. Foi um grande secretário e um grande ministro da Educação".

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