Regional

Mulher é atropelada por composição ao tentar atravessar linha férrea

Lilian Grasiela
| Tempo de leitura: 3 min

Jaú ? Uma senhora de 62 anos foi atropelada ontem de manhã por um auto de linha ? veículo utilizado na manutenção da malha ferroviária ? quando tentava atravessar a linha férrea no trecho que liga o jardim Brasília ao jardim das Paineiras, em Jaú (47 quilômetros de Bauru). A vítima teve traumas leves no crânio, face e ombro, mas não corre risco de morte.

A América Latina Logística (ALL) alega que a passagem utilizada pela mulher é clandestina. Ação civil pública ajuizada pelo MPF em Jaú quer obrigar que a concessionária e os municípios de Jaú, Dois Córregos, Brotas e Torrinha garantam a segurança de motoristas e pedestres nas passagens em nível da linha férrea que corta as cidades .

De acordo com a polícia, M.H.S. foi atingida lateralmente pelo auto de linha por volta das 11h15. A ALL, concessionária responsável pelo trecho da malha ferroviária, informou que o operador do veículo, ao avistar a mulher sobre os trilhos, teria seguido o procedimento padrão de segurança e acionado a buzina por diversas vezes, além de tentar frear o veículo. Apesar das tentativas, o choque foi inevitável. Segundo informações da polícia, o acidente só não foi mais grave porque o auto de linha trafega em velocidade inferior a dez quilômetros por hora. M.H.S. foi socorrida e levada pela unidade de Resgate do Corpo de Bombeiros ao Pronto-Socorro (PS) da Santa Casa da cidade com ferimentos sobretudo na região da cabeça.

Por meio da assessoria de imprensa, o hospital informou que a mulher foi submetida à tomografia, que constatou trauma de natureza leve no crânio, além de traumas na face e no ombro. No final da tarde, seu estado de saúde era estável e ela estava realizando novos exames. Em nota, a ALL informou que a passagem em nível utilizada pela senhora para transpor a via férrea é clandestina. Além disso, a concessionária disse que faz campanhas educativas de segurança junto a motoristas e pedestres em cruzamentos com a linha distribuindo materiais informativos que alertam sobre os cuidados necessários ao cruzar a linha do trem.

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Acidentes deram origem à ação


O MPF começou a investigar a situação das passagens em nível em 2009, quando o Conselho Comunitário de Segurança de Jaú solicitou sua intervenção para assegurar a instalação de sinalização sonora e semafórica na passagem em nível existente na estrada vicinal José Maria Verdini e na rua São José.

Nesse local, segundo relatos, foram registrados diversos acidentes por falta de sinalização adequada. Em agosto de 2009, o MPF expediu recomendação para que a ANTT e a ALL implantassem sinalização sonora e luminosa naquela passagem, além de instalação de cancelas. Também foi solicitado, na época, fiscalização do cumprimento pelos maquinistas da obrigação de apitar antes da chegada na passagem em nível. Após a recomendação, o órgão solicitou à ANTT a realização de estudos para aferir a adequação da sinalização instalada em todos os municípios da região.

A agência concluiu que a "segurança operacional das passagem em nível precisa ser revisada em sua integralidade" e apontou a existência de pelo menos 30 passagens onde a tomada de providências é considerada necessária, "sendo cinco em Brotas, quatro em Torrinha, sete em Dois Córregos e 17 em Jaú, estando 14 delas em estado crítico", ressalta o procurador da República Marcos Salati, responsável pela ação.

A partir desse panorama, a ANTT notificou a concessionária para que adotasse diversas providências, juntamente com os municípios, para readequar, substituir ou implantar sinalização nas passagens em nível e melhorar a visibilidade no local.

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