Internacional

Grécia vive dia de tensão e violência


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Atenas - Milhares de pessoas saíram ontem às ruas de Atenas em protesto contra as medidas de austeridade que devem ser votadas pelo Parlamento grego hoje e amanhã. As manifestações eram parte de uma greve geral de 48 horas, que começou pacífica, mas acabou em violência durante a tarde.

Alguns manifestantes entraram em confronto com a polícia, que usou gás lacrimogêneo e cassetetes para conter a multidão estimada em 20 mil jovens e reunida na praça Syntagma, em frente ao Parlamento. Dezenas de manifestantes ficaram feridos, e 18 foram presos. Segundo autoridades gregas, 20 policiais levaram pedradas.

Com a Grécia à beira da bancarrota, o Parlamento vota nesta semana um pacote que prevê cortes de gastos, aumento de impostos e privatizações, como primeira fase de um resgate que a União Europeia (UE) arquiteta para evitar a eventual primeira quebra de um país do bloco.

De noite, centenas de manifestantes retornaram à praça em marchas pacíficas, gritando insultos contra o Parlamento, como fazem toda noite há mais de um mês. Por causa da greve, transportes, escolas e outros serviços públicos estavam paralisados na Grécia. Estima-se que ao menos 3 milhões de funcionários públicos e privados tenham aderido.

Muitos gregos acreditam que o resgate impõe duras penas aos trabalhadores, poupando os ricos. "As medidas são para o bem dos bancos, não para o dos trabalhadores", disse Yannis Tsounis, 38 anos, um funcionário público. "Começamos a nos sentir como se não fossemos parte da Europa."

A Grécia enfrenta sua pior recessão desde 1970, com o desemprego em mais de 40% e as finanças públicas afundadas em uma dívida equivalente a 150% do PIB do país. Com apoio da UE e do FMI, o governo grego agora busca aval do Parlamento em duas votações cruciais para convencer os credores internacionais de que a Grécia tem um plano contra a crise e as medidas de austeridade podem ser implementadas para reestruturar a economia.

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