A presidente Dilma Rousseff propôs, ontem (29), ao Mercosul elevar a proteção comercial contra o aumento de importações, em uma tentativa de conter a entrada de produtos baratos da Europa, Ásia e Estados Unidos em uma região de rápida expansão.
A proposta, levada pelo Brasil à Comissão de Comércio do bloco, que também é formado por Argentina, Paraguai e Uruguai, será discutida nas próximas semanas e permitirá que cada país eleve individualmente seus tributos de importação de bens não pertencentes à zona, de acordo com uma autoridade do governo brasileiro.
"Nós, países do Mercosul, devemos estar bem atentos ao que se passa no mundo. Neste momento de excepcional crescimento da região, identificamos que alguns parceiros de fora buscam vender-nos produtos que não encontram mercado no mundo rico", disse Dilma, em sua primeira participação numa cúpula do Mercosul desde que tomou posse em janeiro.
Um diplomata argentino afirmou à Reuters sob condição de anonimato que a Argentina, que tem uma dura política comercial que inclui barreiras a importações e licenciamento não automático, concorda em preservar o mercado para o bem da região.
Uruguai e Paraguai, as economias menos industrializadas do Mercosul e, portanto, mais abertas às importações, receberam a proposta com cautela.
"Acreditamos que é importante ... a existência de um verdadeiro mercado regional, forte, vigoroso, que não tenha restrições tarifárias no seu funcionamento externo", disse a jornalistas o chanceler uruguaio, Luis Almagro. "A proposta (do Brasil) é para ser analisada".