A indústria automotiva brasileira divulgou ontem (29) um levantamento de problemas competitivos do setor, na expectativa de sensibilizar o governo a adotar medidas que facilitem a inovação tecnológica e ajudem a reduzir os custos de produção no país.
O levantamento, feito em parceria com a consultoria PriceWaterhouseCoopers (PWC) desde o fim do ano passado, aponta para uma série de deficiências na indústria brasileira de veículos, que vislumbra ter capacidade para suprir um mercado interno esperado em 6 milhões de automóveis em 2020, ante expectativa de 3,7 milhões de unidades para este ano.
De acordo com a pesquisa, o Brasil atualmente possui um custo de produção de veículos 60 por cento maior do que o da China, considerada no levantamento como país de menor custo de para o setor.
O governo brasileiro deve anunciar até o fim de julho medidas para estimular o setor industrial, promover a inovação e reduzir a dependência da economia em commodities.
Como parte dessa política, estão em análise desonerações na folha de pagamento, de investimentos fixos e de bens de capital, principalmente para setores mais fragilizados, disse o ministro de Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior (MDIC), Fernando Pimentel.
No custo de produção apurado no levantamento da PWC, o Brasil aparece com os piores índices entre os países pesquisados. Com relação ao custo de capital, o Brasil tinha em maio uma taxa real de juros de 5,5 por cento, enquanto o México tinha 1,1 por cento e a China, 1 por cento.
Em termos de custos de mão-de-obra, o Brasil paga 5,3 euros por hora, enquanto no México são 2,6 euros/hora e na China 1,3 euro/hora.