Entra governo, sai governo e o problema continua: dar um fim à situação precária da capa asfáltica e da estrutura de base da Avenida Rodrigues Alves esteve na lista das promessas dos últimos governantes de Bauru, mas nenhum deles conseguiu concretizar a proposta.
Assim, dar solução à precariedade do piso, principalmente nas duas pistas entre as quadras 1 e 12, é um desafio que "mora" na principal gaveta do Palácio das Cerejeiras e, agora, apenas o atual chefe de plantão, Rodrigo Agostinho, pode dar solução. Tidei de Lima, ao assumir em 1993, e Antonio Izzo Filho, em 1997, prometeram a obra e acabaram não cumprindo o compromisso.
Em 2003, Nilson Costa chegou a contratar um estudo por R$ 35 mil para a realização de um diagnóstico de engenharia sobre os graves problemas da pavimentação asfáltica na avenida. No entanto, a proposta não foi para frente após alguns serviços isolados.
A pendência ainda gerou discussão sobre a melhor opção operacional e de engenharia. Discutiu-se, neste tempo, se era o caso de aplicar a mesma técnica adotada em Curitiba (PR), onde o corredor principal de ônibus coletivo recebeu material especial, que seria mais resistente às repetições de frenagens e partidas, sobretudo dos ônibus coletivos.
Outros discutiram, nas últimas gestões, se não era melhor formar corredor de ônibus em apenas uma faixa da Rodrigues ou, até, se as ruas transversais na área de influência do comércio central (Nações/Cussy/Primeiro de Agosto/Pedro de Toledo) não teriam de ser os novos corredores de passagem dos coletivos.
As teorias ganharam outros adendos e, de prático, nada ocorreu. A história se repetiu no governo Tuga Angerami. Em 2007, o então prefeito anunciou a contratação de empresa terceirizada para executar o recape do trecho mais problemático da Rodrigues, após argumentar que a Secretaria de Obras não dispunha de condição operacional para a demanda. Outro aliado dos argumentos pela indefinição na recuperação da avenida foi o caixa. O elevado valor da recuperação definitiva sempre foi colocado em questão.
Sem ajuste, os problemas na Rodrigues se acumularam. Depois de ser adiada de maio para setembro de 2007, as obras ficaram para 2008 aguardando liberação de verbas em razão da pendência judicial que discutia a parcela mensal da dívida federalizada do município. O então prefeito disse que "consertaria" a Rodrigues se o dinheiro do litígio com a União fosse liberado. No entanto, o recapeamento não foi feito até o final da gestão Tuga.
A demanda foi herdada por Rodrigo e a administração atual também prometeu a obra e agora já pela segunda vez em apenas três anos. Agostinho diz que a recuperação da Rodrigues será entregue em 2012. Em 2009, primeiro ano do atual governo, o prefeito disse que faria o serviço, mas isso não aconteceu.
As discussões
Há muitos anos, uma das principais discussões acerca do trecho deteriorado da Avenida Rodrigues Alves tem relação com o material mais adequado para que o problema não volte a se repetir em pouco tempo em razão do intenso e pesado tráfego na via.
Uma das alternativas que vem sendo cogitada pela prefeitura é a utilização de composto químico chamado polímero, que aumenta a resistência do pavimento diante do desgaste e do envelhecimento. O secretário de Obras, Eliseu Areco, porém, garante que a adição das substâncias no pavimento que será implantado na Rodrigues Alves ainda não é confirmada.
Outro problema na avenida, apontado por Areco no ano passado, é a infiltração de água no solo. O secretário admite que o trabalho ideal a ser executado na via seria a remodelação global, mas isso não está sendo discutido no momento. "O que compete à Obras é manter o pavimento em ordem e isso será feito", pontua.
Prefeitura promete a licitação até agosto, mas falta definir qual a solução para piso
A um ano e meio do fim de seu mandato, a administração Rodrigo Agostinho garante (novamente) que vai executar as obras no trecho onde o cenário é mais preocupante: o trecho da avenida desde seu primeiro quarteirão, onde passa a ser chamada de Avenida Pedro de Toledo, até a quadra 13, onde cruza com a Avenida Nações Norte.
Acontece que essa foi uma promessa do governo no mês de setembro de 2009, como fora publicado na edição do dia 8 daquele mês, no Jornal da Cidade. Até agora, porém, não foi concluído o estudo orçamentário para o recapeamento da Avenida Rodrigues Alves.
Mas o secretário municipal de Obras, Eliseu Areco, afirma que este serviço será licitado entre os meses de julho e agosto deste ano. Segundo o chefe da pasta, há previsão orçamentária para enfrentar o problema.
Enquanto isso, motoristas e pedestres sofrem com o asfalto em condições preocupantes, diante do desgaste de mais de 15 anos em alguns dos trechos da avenida. A via concentra 60% do embarque e desembarque de pessoas no município, em razão do grande volume de trabalhadores na região e do intenso fluxo de circulares. Trata-se também da maior estação de transbordo a céu aberto do município. A Avenida Duque de Caxias assume a segunda colocação em termos de ligação entre os bairros, mas está muito distante da principal via da área central de Bauru.
Diagnóstico
Areco explica que o problema da Rodrigues Alves não seria resolvido apenas com o recapeamento simples. Por isso, foi necessária a elaboração de um diagnóstico do trecho mais problemático da avenida, desenvolvido pela própria Secretaria de Obras, para a definição das diretrizes da ação da prefeitura.
"Além do recape, alguns trechos exigem a reposição da base, que sustenta a capa asfáltica. O estudo que está em fase de conclusão aponta também afundamentos. Nas placas de concreto que existem no local, elas se movimentaram e precisam ser trocadas, além da avaliação de alguns trechos onde o asfalto recebeu intervenção recentemente", apontou, referindo-se a algumas medidas adotadas pelo município em pontos isolados da avenida.
Ainda de acordo com o secretário, após os trâmites burocráticos, o recape das duas pistas da Rodrigues Alves, entre as quadras 1 e 13, deve levar de dois a três meses.
Longe de seu trecho mais deteriorado, a Avenida Rodrigues Alves está sendo recapeada pela prefeitura entre as quadras 33 e 27 no sentido Bairro-Centro e 27 a 34 no sentido Centro-Bairro. O recape na avenida faz parte do pacote de 600 quadras contratadas pela administração municipal.