Pesca & Lazer

História de Pescador: O caboclinho d?água


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Alguém já ouviu falar em caboclinho d´água? Será que existe? Pois bem, o Zé Birruguinha garante que sim e para provar a existência desses pequenos seres que habitam nossos rios, contou esta façanha passada por ele.

Lá pelos anos de 1950/51, saiu de Bauru, em uma F-400 furgão, com destino a Goiás, uma equipe composta por cinco pescadores escolhidos a dedo, chefiada pelo mais experiente deles, o Zé Birruguinha. Levaram dois barcos de alumínio com motores de popa de 20 HP, ambos zerados pois em função do local ser perigoso, não podiam correr riscos.

Depois de três dias de viagem chegaram ao local, às margens do rio Araguaia, onde apressadamente limparam o local e de forma rústica montaram o acampamento com suas barracas a beira da mata e de frente para um poço muito fundo e perigoso.

Já eram bem tardezinha, o sol se escondendo, quando puseram os barcos na água, testaram os motores, os quais funcionaram perfeitamente, ficando tudo pronto para o início da pescaria que aconteceria no dia seguinte.

Logo após amarrarem os barcos e tomarem aquele banho de rio, subiram para o acampamento onde comeram antes de dormir um suculento arroz carreteiro preparado pelo "Pituta", cozinheiro dos bons, que também fazia parte da equipe.

No dia seguinte, logo cedinho, com todos equipamentos e de carretilhas em punho, saíram rio abaixo pescando de rodada.

Depois de rodarem aproximadamente uma hora e meia sem nada pegar, resolveram apoitar os barcos para pescarem em um grande rebojo, onde perceberam indícios de que era ali que estava o peixe.

Depois de pegarem rapidamente alguns tucunarés e matrinchãs, um dos componentes da equipe alertou os de uma enorme figueira que caia para a água.

Todos ficaram atentos e não demorou muito o negócio também foi visto pelo Zé Birruguinha que gritou para os companheiros: "É um ?caboclinho d´água?, foi como ele disse. "Tenham cuidado que ele não anda sozinho e quando se irritam costumam tomar as canoas dos pirangueiros." Não deu outra. De supetão, eles pegaram na borda do barco pilotado pelo Zé e começaram a forçar para tombá-lo, quando o Birruguinha com seu facão "jacaré" muito bem afiado, golpeou a mãozinha de um deles, decepando-a completamente e com isso amedrontou os demais, fazendo com que desaparecessem.

Até o regresso, ao fim da pescaria nada mais foi visto de anormal. No ano seguinte, o voltaram ao mesmo local para nova pescaria, o "cabloclinho d?água" manetinha, de forma bastante pacífica apareceu para a equipe ali no poço em frente ao acampamento.

O Zé Birruguinha ao vê-lo naquelas condições com o toquinho do braço apenas, logo reconheceu e ficou muito arrependido, pois sabia que fora ele o causador de tudo aquilo no ano anterior e como forma de ajudá-lo, passou lhe tratar, dando-lhe comida diariamente.

Depois de comer algumas vezes ali no porto do acampamento, tornou-se amigo de toda equipe, ficando sempre ali por perto. Quando os pirangueiros saiam para pescar, o manetinha acompanhava os barcos e muitas vezes até mergulhava para desenroscar os anzóis dos pescadores.

Enfim, tornou-se tão amigo da turma que, segundo o Zé, por várias vezes no acampamento, ele chegou a usar o seu toquinho de braço para amassar limão no copo para fazer a caipirinha do aperitivo dos pirangueiros.

O Zé completou que foi com muita tristeza que, ao terminar a pescaria, tiveram que deixar o acampamento como também o amigo "caboclinho d?água" maneta.

Como lembrança, o nosso Zé Birruga afirmou que por causa da grande poluição nos rios do Estado de São Paulo, principalmente o Tietê, não mais existem essas criaturinhas por aqui.

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