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De gasto em gasto...

Reinaldo Cafeo
| Tempo de leitura: 2 min

Os grandes gastos normalmente são acompanhados pelas famílias, contudo, o que pode levar ao desequilíbrio do orçamento doméstico são os pequenos gastos. Uma pe-quena compra aqui, outro gasto ali, e quando menos percebeu esses valores somados acabam representando um valor significativo. Faça as contas e terá uma grande surpresa.

Na prática, qualquer que seja o montante, pequeno ou grande, deve ter o mesmo rigor em seu controle por parte das famílias.

Quando as pessoas saem de casa com dinheiro no bolso, há uma potencialização dos gastos. O dinheiro "vivo" em quantidade oferece uma sensação de poder de compra e os menos avisados são capazes de gastar muito além do que efetivamente poderiam. O melhor a fazer é separar somente o volume de dinheiro necessário para aquele dia, a partir de compras programadas.

Por sinal, um dos vilões dos gastos supérfluos é exatamente o gasto não programado. Sair de casa para ir às compras sem saber ao certo o que deseja, ou melhor, o que precisa comprar, é um convite ao desperdício. Todos aqueles que compram o que não precisam, uma hora ou outra terão que vender o que precisam. Produtos sem muita utilidade poucas pessoas desejam adquirir e, se aceitarem comprar, o preço cairá significativamente.

Não quero aqui preconizar que não podemos nos dar ao luxo de comprar uma vez outra um produto que atenda o sonho de consumo, e que devemos ser miseráveis ao ponto de ficar pensando duas vezes antes de tomar um ca-fezinho, mas é preciso saber em que momento isso pode se dar. Esse momento está diretamente ligado à folga financeira conquistada ao longo do tempo. Em outras palavras: primeiro conquista-se o dinheiro, com ele a folga financeira, depois vem o consumo.

Pessoas que não são capazes de programar pequenas compras, que não possuem o hábito de poupar, são prezas fáceis em um mundo forjado no consumo pelo consumo. Observem que menciono programar pequenas compras e não suspender pequenas compras.

A mídia, o status, o meio social, as "tribos" em que vivemos, são verdadeiros convites ao consumo e para evitar o desequilíbrio financeiro via gasto excessivo e desnecessário é preciso muita disciplina, tendo planejamento e controle. Se de grão em grão a galinha enche o papo, de gasto em gasto as finanças do lar atingem o desequilíbrio. Gastar não é proibido, mas tem que ser com racionalidade.

O autor, Reinaldo Cafeo, é economista, presidente da Acib e articulista do JC

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