São Paulo - O dólar comercial terminou o dia na menor cotação desde janeiro de 1999. O bom humor dos investidores no mercado de ações doméstico e no exterior levou a moeda norte-americana ao quinto dia consecutivo de queda.
O dólar fechou a R$ 1,558, após oscilar entre R$ 1,565 e R$ 1,555, em um decréscimo de 0,25% sobre o fechamento de anteontem. A cotação é a menor desde 19 de janeiro de 1999 - quando a moeda fechou no mesmo valor. Naquela data, o regime de câmbio no país ainda era fixo - o câmbio flutuante começou em seguida, em 1 de fevereiro de 1999.
O dólar turismo foi vendido por R$ 1,660 e comprado por R$ 1,500 nas casas de câmbio paulistas. "O bom humor do mercado ajudou a manter o dólar em baixa, embora a queda não tenha sido grande", afirma Felipe Pellegrini, gerente da mesa de operações do banco Confidence. Na semana, a moeda registrou queda de 2,87%, a menor desde a primeira semana abril.
Segundo ele, a queda desde segunda-feira foi muito forte, e deve ser revertida em parte nos próximos dias. "Bateram muito forte no dólar nesta semana, então é possível que ele recupere um pouquinho nos próximos dias. Mas a tendência ainda é forte para baixo."
Para o segundo semestre, analistas avaliam que o dólar pode ter um processo de recuperação contra as demais moedas, mas bastante moderado. Será preciso observar os efeitos do encerramento do QE2 - o programa federal que injetou bilhões de dólares na economia dos EUA- e a possível melhora dos indicadores nesse país.
Por outro lado, o ciclo de aperto monetário no Brasil deve continuar: as opiniões do mercado se dividem entre um ou dois aumentos da taxa básica de juros até o final deste ano. Ontem, o Banco Central iniciou a mudança no cálculo da taxa média de câmbio, a Ptax. Essa cotação serve de base para os contratos negociados na Bolsa e para operações entre bancos e grandes empresas, mas acaba por influenciar também o preço do dólar comercial e turismo.