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Do campo de guerra às ?batalhas?

Luiz Beltramin
| Tempo de leitura: 3 min

Desde a participação em importantes, embora nem sempre com os holofotes merecidos, páginas da história do Brasil, até intervenções corriqueiras mas que marcam passagens de uma Bauru de outros tempos, o 4º batalhão é um compêndio de passagens que enchem de orgulho policiais tanto da ativa quanto reserva.

Entre os antigos oficiais que reúnem uma vastidão de histórias sobre a unidade militar é o coronel Aparecido Amaral Gurgel. Aos 88 anos, com muita lucidez e memória invejável, ele lembra de como era o batalhão na sua chegada a Bauru, em janeiro de 1946.

Ex-comandante do batalhão, ele lembra que o quartel de Bauru foi o centro de operações da PM no Oeste do Estado em exatos 17.010 quilômetros quadrados. Gurgel recorda que a unidade era considerada disciplinadora. Segundo ele, policiais que cometiam certas transgressões eram trazidos para cá, como forma de punição.

Uma das passagens marcantes para o coronel foi a intervenção dos homens do batalhão para evitar tumultuo durante greve dos funcionários da estrada de ferro Paulista, no início dos anos 1960, diz. Contudo, uma das intervenções mais inusitadas, no quesito "controle de distúrbios" foi, literalmente, em outro campo.

Num movimentado jogo entre o antigo time de futebol do Bauru Atlético Clube (BAC) frente a um adversário que até a prodigiosa memória do coronel reformado não encontrou. "Comandei um jogo do BAC quando o técnico era o grande Domingos da Guia (pai de Ademir)", diz. "Lembro que era um jogo importante e o juiz, que era de Marília, marcou um lance que desagradou a torcida, inclusive gente importante, que estava no campo Luzitana (antiga sede do BAC na rua Rio Branco)". "Tive que conter as pessoas que tentavam agredir o juiz colocando o fuzil atravessado entre mim e elas (imita o gesto como se cruzasse a arma no peito)", narra o coronel reformado, que cita nomes, preservados aqui, dos torcedores revoltados informalmente.

Um deles, já falecido, dá nome a praça atualmente. O outro inconformado com a arbitragem é um ex-jogador, comenta, que até hoje mora em Bauru. "Fomos a Marília ouvir o árbitro, que nos mostrou marcas de queimaduras pelo corpo. Ele foi atingido com pontas de cigarros", detalha Gurgel.

Mais uma história

Outra passagem, esta de proporções mais sérias, dos policiais do batalhão foi na prisão de um acusado de homicídio, ocorrida em então região de selva na divisa com Mato Grosso do Sul. O ex-comandante da unidade conta que o fugitivo, ironicamente, também era policial e escapou do xadrez do batalhão com uma artimanha de certo modo ingênua, mas eficiente. "Ele pendurava as meias pretas nas grades e com isso escondia o lugar onde as serrava", ilustra. O fugitivo teria pego um trem até a divisa de Estado, mas os policiais do 4ºBPMI foram à sua caça. "Ficaram acampados por dois dias, mas conseguiram achá-lo no meio do mato", valoriza o policial reformado, cujo maior orgulho foi ter trazido para Bauru o Serviço de Assistência Social (SAS), referência na época pelo atendimento médico prestado aos policiais da região. "Essa é a minha maior alegria dos anos de batalhão. Tenho muito orgulho do SAS", contempla, com voz embargada e olhos marejados.

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