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Bauruense descobre o mercado de luxo

Lígia Ligabue
| Tempo de leitura: 5 min

Uma casa de R$ 4,5 milhões. Na garagem, um conversível de R$ 1,3 milhão. Para receber amigos, um uísque de R$ 13 mil. E no closet - o guarda-roupa de quem tem bala na agulha - vestidos de R$ 3 mil, além de bolsas e acessórios que somam centenas de reais. Podem acreditar, tem muito bauruense que pode se dar o luxo de ter esses mimos.

O aquecimento da economia nacional, o aumento do poder aquisitivo da classe média e o crescimento ainda mais acentuado da renda da classe A1 também repercutiram em Bauru. Muitos empresários enxergaram esse potencial e direcionaram seus investimentos em empreendimentos para atender as necessidades desse público que é cada vez mais exigente. Nos últimos anos, o mercado imobiliário de luxo na cidade evoluiu, lojas de roupas e acessórios foram inauguradas e empresas já estabelecidas buscaram novas formas de atender seus clientes.

O estudo Índice de Potencial de Consumo (IPC) Maps, divulgado no início de maio, mostrou que Bauru possui cerca de 950 residências de famílias de classe considerada A1 ? aquelas com rendimento mensal familiar de mais de R$ 13 mil. Pode parecer que são poucas casas, mas de acordo com o estudo, apenas esses bauruenses vão movimentar R$ 383 milhões neste ano. Para se ter uma ideia da expansão da classe A1 em Bauru, em 2010 eram 777 domicílios classificados nesse patamar.

O economista Wagner Ismanhoto, observa que o crescimento econômico nacional teve repercussão em Bauru. "A classe média está com um poder aquisitivo melhor e a classe que já tinha um poder aquisitivo alto, teve um crescimento mais significativo ainda", pontua. O economista explica que houve um aumento real da renda dos trabalhadores. "Mas a maior parte desse crescimento vai ficar na mão de quem detém o capital", resume.

Público exigente

Ele observa que até há pouco tempo o Interior não estava preparado para atender as necessidades desse público seleto e exigente, mas a situação mudou.

"Quem costuma consumir produtos mias sofisticados, tinha a tendência natural de ir buscar nos centros mais desenvolvidos. Até porque não existia na cidade revendas de marcas de alto padrão. Agora é claro que essas empresas perceberam que existe esse nicho por aqui. É comum ver essas marcas caminhando para as regiões de crescimento de renda mais significativo", observa.

Reconhecendo que há esse mercado a ser explorado, empresários passaram a direcionar o investimento de olho nesse potencial. Mas, ele observa que existem produtos que alguns bauruenses estão consumindo que não são vendidos por aqui. São marcas de joias, roupas e acessórios que não se encontram nas vitrines de Bauru.

Mesmo porque, as marcas que tem o luxo em seu DNA não têm a intenção de se tornarem mais acessíveis. O status por trás de uma companhia dessas está exatamente na exclusividade, no ideal de serem atingíveis apenas por "poucos e bons". "A ideia não é popularizar. E não pode ser diferente. Se o produto é voltado para esta classe, a estratégia é atender suas necessidades", explica Ismanhoto.


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Diamante é ?joia rara? e para poucos

Com o grama do ouro batendo R$ 80,00 o grama, as joias voltaram a ser um bom investimento. No entanto, no mercado de luxo, anéis, colares e pulseiras são objetos de arte assinados por designers prestigiados e que são usados para impressionar. Mas, segundo quem está acostumado com o segmento, o diamante continua sendo peça rara e consolidada neste mercado.

Quem compra, em geral quer o anonimato. Afinal, as cifras são altas e os clientes não querem se expor. A preocupação é com a segurança. Afinal, um anel de R$ 50 mil ou um colar de R$ 70 mil precisam ser guardados a sete chaves e os momentos para usá-los são, digamos, especiais.

Os empresários ouvidos pela reportagem preferiram não revelar os valores das mercadorias que negociam, mas reconhecem que as joias exclusivas fazem parte da vida de um grupo seleto de bauruenses. No ramo há quase cinco décadas, a família de Roberto Trabulsi acompanhou gerações de clientes. Ele conta que dois tipos interessados procuram a loja: os que querem realizar um sonho de consumo e os que podem comprar joias a hora que quiser.

Ele observa que para muitas pessoas o joalheiro faz parte da sua história. "Tem gente que ganha um brinco ou um anjo da guarda quando nasce. Na primeira comunhão, uma medalha do espírito santo. Ao ficar noivo, casar, alianças. Todas as situações são marcadas por joias. E é um bem que não é de consumo. Ela não se desfaz, como uma bijuteria, uma roupa, por exemplo", define.

Ele também relata que o motivo da pessoa a comprar a peça é o encanto que ela traz. "Não tem bolsa que ganhe de um brilhante de um quilate. E não tem como etiquetar uma joia. Você pode ir na Tiffany, comprar uma joia ao usá-la, as pessoas não vão saber disso. Joia não tem um logo, uma grife, um desenho", observa

Ao ser questionado sobre a preferência dos clientes, ele não precisa pensar muito. "Você fala em, diamantes, é hours concours. Você pode ter lançamentos de madrepérola muito bonitos, mas se você coloca o brilhante do lado, não tem concorrência", pontua. No entanto, mais uma vez ele prefere não falar em valores.

Porém, conta que se um cliente desejar uma peça mais sofisticada, atende o pedido. "Uma cliente estava em São Paulo e viu um colar de pérolas dos mares do sul, cultivadas há 15 anos, raríssimas e muito caras. Até então não tinha trabalhado com isso. Ela viu em São Paulo, me pediu e eu trouxe a peça", conta.

Outro empresário que atua há 20 anos com joias, e que também pediu para não ter o nome revelado, conta que muitos têm nas joias, uma paixão. "E compram joias apenas para admirá-las, não chegam a usar", conta. Mas, de acordo com ele, muita gente prefere encomendar peças de fora de Bauru. "Principalmente as mais caras", observa.

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