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Perfil do cliente da compra milionária

Lígia Lígabue
| Tempo de leitura: 4 min

Uma empresa especializada na venda de carros de luxo conta que em Bauru o público consumidor de seus produtos representa 20% das vendas. Todo o restante é direcionado para fora da região. Mas, nesse caso, as marcas são aquelas que efetivamente são consideradas de alto luxo. Porsches, Astons Martins, Lamborghinis e Ferraris, carrões que povoam os sonhos de muita gente desde criança, são vendidos à pronta entrega.

Segundo um dos vendedores da empresa, a clientela desse tipo de veículo ainda é muito restrita em Bauru. Porém, isso não significa que a movimentação seja baixa na garagem da empresa. As vendas para todo o Brasil continuam a todo vapor. Para esse público, uma depreciação do valor do carro na revenda não importa muito. "Quem compra esse tipo de veículo sabe que os preços mudam diariamente. Eles compram mais por gostar daquele carro do que por quanto vão gastar", observa.

Carros como a Lamborghini Gallardo, que ultrapassa R$ 1,3 milhão, ou Ferraris de R$ 1,1 milhão não estão apenas expostas. No caso das Lamborghinis, em um ano, cinco unidades foram vendidas. Nenhuma ficou em Bauru. Porém, outras marcas como Mercedes e BMW são mais procuradas. Já os bauruenses preferem os carros da Porsche, que custam cerca de R$ 500 mil.

E as vendas não demoram para ser concluídas. "São clientes que gostam muito de carro, de uma marca específica. Muitas vezes conhecem mais do que os vendedores. Eles já chegam com um modelo definido e compram aquele mesmo", informa o vendedor.


Presentes finos para momentos especiais

Se o Jonnie Walker Blue Label já é reconhecido como um dos uísques mais nobres à disposição do consumidor exigente, como torná-lo ainda,mais exclusivo? Basta acondicionar a tradicional bebida escocesa num decanter ? a garrafa, para quem não está acostumado - que é praticamente uma joia. A peça é feita de cristal Baccarat, o mais luxuoso do mundo. À venda em Bauru por R$ 13 mil, na loja do empresário Carlos Prando, a edição especial do uísque foi feita para celebrar o bicentenário do criador da Johnnie Walker, em 2005.

Uma das poucas com autorização para comercializar a garrafa, a empresa de Prando vendeu duas unidades desde que começou a exibir o produto, há cerca de dois anos. "Que compra pede sigilo. Mas as duas foram dadas de presente", revela.

Outro exemplar de uísque exclusivo é o Chivas Ryal Salute, 38 anos, que custa R$ 3,9 mil. Mas, além de uísque, ele mantém em suas prateleiras outras raridades, como o conhaque Louis XIII de Rémy Martin, de 40 anos, que sai por R$ 8,9 mil. E o vinho Château Mounton Rothschild, um dos mais prestigiados da França, cuja garrafa de 700 ml sai em torno de R$ R$ 7,8 mil. E se a comemoração merece champanhe, uma garrafa da Louis Roederer, de R$ 2 mil é a pedida.

Com experiência de anos no setor, Prando comemora a expansão da clientela. "Hoje, com a estabilização do dólar, as importações ficaram mais tranquilas. E uma pessoa que antes consumia um uísque oito anos, agora passou a comprar o de 12 anos com maior facilidade, por exemplo", observa.


Objetos de arte e desejo

Embora o mercado da moda masculina esteja crescendo, as mulheres ainda são as que mais apreciam e dão maior valor a esse tipo de produto. E quando o assunto é sapato, muitas consumidoras reconhecem que a aquisição de uma peça é praticamente um investimento em design e conforto. Pensando nesse público, a empresária Karin Modelli, abriu as portas de sua loja em março.

Com itens inteiramente feitos à mão em pequenas fábricas, assinados por designers ainda pouco explorados em Bauru, os sapatos exibidos em suas prateleiras chamam a atenção e levam o preço médio na casa dos R$ 400,00, "A loja foi aberta com o ideal de atender um mercado que ainda não tinha sido atendido nesse aspecto", informa Karin.

Ela também rejeita que o foco seja uma faixa exclusiva de clientes. "O design, a manufatura, o valor agregado que o artigo tem. A pessoa leva para casa um produto único, feito à mão. Nós acreditamos nisso. A pessoa ao investir em um calçado, investe em si mesma, no seu conforto", pontua. Com apenas três meses de funcionamento, ela está otimista com o retorno. "A clientela ainda está em formação, as pessoas ainda estão conhecendo", pondera. "Mas Bauru deu uma resposta muito boa, surpreendeu", comemora.

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