Regional

Estação é restaurada em Santa Cruz

Aurélio Alonso
| Tempo de leitura: 2 min

Santa Cruz do Rio Pardo ? A estação ferroviária da antiga Estrada de Ferro Sorocabana de Santa Cruz do Rio Pardo (90 quilômetros de Bauru) foi restaurada e abriga desde a última semana o acervo do Museu Histórico Ernesto Bertoldi.

O trem parou de circular há 45 anos, mas desde 1966 o prédio ficou abandonado e serviu por longo tempo de residência de mendigos. A prefeitura conseguir fazer a restauração com ajuda dos governos do Estado e Federal. Segundo a secretária municipal de Cultura, Zildete Torres Camilo, foram investidos cerca de R$ 400 mil. O município entrou com contrapartida de R$ 100 mil.

No terreno há ainda a casa do chefe da antiga estação que a Secretaria de Cultura tem planos de reformá-la para servir de "reserva técnica" para abrigar o material do museu, que não pode ser descartado. A prefeitura aguarda a destinação de mais R$ 100 mil para dar sequência às obras na área do antigo pátio ferroviário, hoje uma imensa área aberta ao lado de bairros populares.

A secretária revelou que a administração entrou em contato com a América Latina Logística (ALL) para tentar a doação de uma locomotiva e um vagão para serem instalados futuramente na área. Por enquanto ainda não teve resposta.

A estação ferroviária foi inaugurada no dia 6 de abril de 1908 para o transporte da produção cafeeira, mas ali também serviu de embarque e desembarque de passageiros nos velhos tempos das locomotivas a vapor (maria-fumaça).

A estação ligava Santa Cruz, distrito de Sodrélia, a Bernardino de Campos, que se integrava à linha tronco da Sorocabana com destino a São Paulo e Presidente Prudente.

O ramal de 24 quilômetros ficou em atividade por 58 anos até tornar-se deficitário, quando o governo paulista desativou na gestão de Laudo Natel, em 16 de novembro de 1966.

Segundo o memorialista Celso Prado, a supressão do tráfego nesse trecho de linha tem justificativa devido o baixo índice de transporte de mercadorias e passageiros. Já no governo Carvalho Pinto, em 1961, existia o projeto de fechar o ramal, porém foi adiado por causa de pressões políticas.

O ramal foi financiado pela Câmara Municipal em 1906 na presidência do vereador Francisco de Paula de Abreu Sodré com anuência do Governo do Estado e da Sorocabana Railway Company no início do século e doado ao Estado. A construção deixou o município endividado por muitos anos

A ligação férrea fazia parte de um plano ambicioso de chegar até o rio Paraná, ao norte da foz do rio do Peixe, e um outro projeto de ligar até Bauru, passando por Espírito Santo do Turvo. Os dois trechos nunca foram construídos.

O projeto arquitetônico da estação ferroviária é de Ramos de Azevedo.

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