Muito se fala sobre inclusão de alunos que apresentam problemas de ordem comportamental nas escolas. Existe o Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA) onde os direitos destinados a eles são preservados e às vezes indiscutíveis. São alunos que agridem seus colegas de classe com "brincadeiras" como socos e tapas; aos seus mestres com ofensas verbais e físicas e, em nome da inclusão, são protegidos e continuam a frequentar o ambiente escolar como se isso fosse um fato normal e nós, os professores, temos que entender e aceitar, afinal, é inclusão.
Mesmo sendo educadora, não possuo conhecimento suficiente nesse assunto, pois estudei e ainda estudo para ministrar aulas, o que sei de como deve-se encaminhar problemas de ordem emocional ou qualquer que seja o outro tipo de alteração, devo à sensibilidade em perceber tais comportamentos e agir quase que instintivamente, a fim de aplacar a violência existente. Mas o assunto que quero abordar aqui é como cuidar daqueles alunos os que não são tidos como inclusos. Como será que fica o emocional da criança que assiste a cenas de agressões? E o mestre? Como lidar com a indignidade de ser desrespeitado em seu ambiente de trabalho. Mestre, esse, que está mediando o conhecimento desse estudante para que no futuro seja um cidadão íntegro. Utopia? Insisto em dizer que não possuo conhecimento suficiente sobre o assunto; não estou aqui apontando falhas e sim, tentando encontrar soluções, buscando respostas.
A família dos alunos que são tidos como inclusos em uma instituição educacional já se questionou sobre isso? Não sou insensível ao problema existente, ou nem quero atribuir culpa aos responsáveis, mas alertá-los para que fiquem atentos e redobrem os cuidados a respeito da saúde de seus filhos, dessa forma a saúde das outras pessoas também será preservada e garantida a integridade tanto física como moral.
Um mestre ou mesmo os pais, quando detectam dificuldades pedagógicas em crianças ou adolescentes, buscam ajuda de profissionais com a competência necessária para sanar a dificuldade, assim deveria acontecer com os responsáveis que têm em sua família pessoas que apresentam outro tipo de dificuldade. No mercado, existem excelentes profissionais que sabem como fazer para detectar desarranjos de ordem emocional e encaminhá-los adequadamente com excelentes resultados para que todos saiam beneficiados. A própria coordenação escolar aconselha e indica bons profissionais. Está na hora de se encontrar soluções e não culpas e desculpas. Penso que os "alunos excluídos, sem nunca terem sido inclusos", merecem a mesma atenção, respeito, carinho... A inclusão dos ?não-excluídos?
A autora, Oeni Custódio Marins, é professora de Língua Portuguesa no Colégio Anglo em Bauru