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Caderneta de poupança perde investidores

Reinaldo Cafeo
| Tempo de leitura: 2 min

A velha e conhecida caderneta de poupança sempre foi a preferência nacional. Enquanto nos países de primeiro mundo a poupança de longo prazo é realizada no mercado acionário, aqui no Brasil a caderneta de poupança faz este papel.

É uma modalidade fácil de administrar. Tem elevada liquidez, aceita baixos valores em suas aplicações, tem garantia adicional do Fundo Garantidor de Crédito e ainda é isenta de imposto de renda. Eu pessoalmente vejo a caderneta de poupança muito mais como uma modalidade que protege o poder de compra do dinheiro do que efetivamente uma aplicação que permita aumentar o patrimônio do investidor ao longo do tempo. Poderia ser considerada uma primeira experiência para quem quer adquirir a cultura do "guardar" dinheiro.

De qualquer maneira, o volume aplicado é significativo e os recursos servem de base para os financiamentos imobiliários. Neste ano, o saldo entre depósitos e saques se apresentou negativo. O poupador tem alguns motivos para sacar mais dinheiro do que depositar.

Primeiramente é questão da baixa remuneração da caderneta de poupança se comparada a outras modalidades. O governo tem aumentado a taxa Selic (juros básicos da economia nacional) e a Taxa Referencial (TR) que atualiza os saldos da caderneta de poupança não tem acompanhado este aumento na mesma proporção. Lembrando que a caderneta de poupança rende TR acrescida de 0,5% ao mês. Quando se trata de valores mais expressivos, os fundos de investimentos, por exemplo, oferecem rendimento líquido superior a poupança. Além dos juros mais baixos a tentação em consumir tem aumentado.

Isso se dá em duas frentes: a primeira quando o poupador analisa os baixos juros e prefere sacar o dinheiro e comprar e a segunda por que há um novo perfil de consumidor no mercado, sedento por adquirir bens e serviços. O primeiro saca o dinheiro aplicado, o segundo gasta todo o dinheiro não obtendo sobras para poupar. Pode-se dizer que esse mecanismo faz parte da dinâmica da economia.

Considerando que a postura da maior parte dos poupadores é conservadora, não há demonstração, ao menos no curto prazo, que o saldo negativo deste ano no volume aplicado em caderneta de poupança preocupe exageradamente, contudo, fica registrado o sinal de alerta para uma eventual revisão no critério de remuneração da preferência nacional.

O autor, Reinaldo Cafeo, é economista, presidente da Acib e articulista do JC

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