Desde o inicio do mês de julho, de acordo com determinação da Secretaria Estadual de Saúde, coordenadora do serviço de regulação de vagas para internação na rede pública de Bauru, está em vigor um novo sistema on-line referente ao serviço que disponibiliza vagas para internação de pacientes encaminhados pelo atendimento do Departamento de Urgência e Pronto Atendimento de Bauru. Mas em Bauru como em outras regiões, o sistema não resolve o principal problema: a falta de vagas e o longo tempo de espera para internação.
De outro lado, em relação à sua própria rede, o município continua com problemas no cronograma de obras das Unidades de Pronto Atendimento (UPAs) e ainda não instalou o sistema de informatização para permitir que as novas sedes funcionem interligadas.
A administração conta que, para habilitação do uso do novo sistema, o Estado ofereceu capacitação para os funcionários ligados ao serviço, para o qual foram designados seis profissionais da Secretaria Municipal de Saúde, das áreas diretamente envolvidas que são as áreas médicas, enfermagem e de informática.
Após o curso, os profissionais capacitados atuaram como multiplicadores em seus respectivos setores. Essa medida foi tomada para que na data do treinamento, o atendimento aos usuários do Pronto-Socorro não fosse prejudicado com o afastamento de muitos servidores.
Apesar do treinamento para o novo sistema, o gargalo continua sendo a falta de vagas para internação. "Mesmo com a informatização do sistema, uma realidade vivida quase que diariamente pelo Departamento de Unidades de Urgência e Pronto Atendimento é a efetiva disponibilidade de vagas. Trata-se do grande número de pacientes que aguardam vagas para internação na rede hospitalar da cidade, integrantes do Sistema Único de Saúde", reforçam o secretário municipal de Saúde, Fernando Monti, e o diretor do PS, Luiz Antonio Sabbag.
Segundo o governo local, um dos períodos mais críticos do ano ocorreu nesta semana, quando entre a segunda-feira e ontem 39 pacientes aguardavam vagas após terem recebido atendimento nas unidades do Pronto Socorro Central e Bela Vista, sendo que quatro para UTI, todos estes com solicitações formalizadas de acordo com o protocolo vigente. Até ontem, 27 pacientes ainda aguardavam vaga a serem liberadas.
De acordo com estudos realizados pela Secretaria Municipal de Saúde, baseados em indicadores nacionais e internacionais, são necessárias de 60 a 70 internações/dia na rede pública de saúde. Estes números se baseiam na estimativa de 0,1 internação por habitante ao ano. "Significa que a demanda de internações hospitalares para uma cidade como Bauru seria de 35.000 internações ao ano. Considerando que 30% das internações são supostamente realizadas no sistema privado, caberia ao sistema público as restantes 70%, o que equivale a 24.500 internações/ano ou 2.000 internações/mês, correspondendo a 66 internações/dia", comenta a administração local.
Como o Pronto-Socorro é praticamente a única porta de entrada para as internações no sistema público em Bauru, com uma demanda média de 30 internações por dia, a demanda está dentro dos parâmetros. Faltam as vagas. A secretaria ainda informa que considerando parâmetros médios para atenção hospitalar de 1 leito para cada 4 internações, só o município de Bauru necessita de uma capacidade instalada mínima de 500 leitos em hospital geral.
Apesar de reconhecer as dificuldades com internação enfrentadas pelo Estado, o secretário lembra que esta etapa do serviço não é de responsabilidade da prefeitura. "Temos a responsabilidade do atendimento pré-hospitalar e ninguém deveria ficar internado no Pronto-Socorro porque além das condições inadequadas há risco com a superlotação, especialmente levando-se em conta a vulnerabilidade dos doentes que ali são assistidos", aponta.
Nova sistemática
O governo de São Paulo inaugurou a central on-line 24 horas para organizar a oferta de vagas de UTI (Unidade de Terapia Intensiva) em hospitais públicos. Nela, hospitais que atendem pelo SUS poderão consultar onde há vagas disponíveis e realizar transferência dos pacientes, até para outros municípios.
Antes da central, a busca pelas vagas era feita de forma descentralizada: cada uma das 17 regionais de saúde do Estado tinha que buscar leitos nos hospitais de seus municípios por telefone ou fax.
Quando não havia vaga na própria regional, era necessário recorrer à Secretária da Saúde. O processo era demorado, segundo a pasta. Agora, as vagas serão solicitadas pelas unidades de saúde diretamente à central, por telefone ou internet. Os casos serão classificados por médicos de plantão segundo a gravidade. Mais graves devem ter atendimento em até uma hora. Os de menor risco, em até 12 h.