Rio - A presidente Dilma Rousseff disse sentir falta do ex-presidente Lula ao seu lado ao inaugurar ontem, no Rio, o teleférico do Complexo do Alemão, o primeiro sistema de transporte de massa por cabo do Brasil e que faz parte do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC).
"Nós sabemos que aqui falta uma pessoa. Falta o Lula. E falta o Lula porque ele colocou não só os recursos necessários. Colocou também carinho, amor e, mais do que isso, o respeito e a esperança de que esse País pode ser diferente", disse.
Pouco depois, quando o governador Sérgio Cabral contou que havia ligado para o ex-presidente pela manhã e que Lula disse que assistiria à inauguração pela TV NBR (do governo federal), Dilma se emocionou e chorou.
A programação da visita da presidente previa que ela andasse no teleférico até uma das estações, mas ela acabou fazendo o percurso completo, passando pelas seis construídas.
O teleférico, que poderá atender até 3 mil pessoas por hora, é obra de um consórcio formado pelas empreiteiras Odebrecht, OAS e Delta Construções.
A Delta pertence ao empresário Fernando Cavendish, cuja mulher e enteado estavam entre as sete vítimas de um acidente de helicóptero na Bahia, há três semanas.
O grupo, juntamente com o governador Cabral, tinha viajado para a Bahia no jatinho do empresário Eike Batista, para comemorar o aniversário de Cavendish.
Na cerimônia de inauguração, o vice governador do Rio, Luiz Fernando Pezão, citou a Delta. "Gostaria de agradecer, principalmente, à engenharia brasileira, às construtoras que trabalharam aqui. A Odebrecht, a OAS e a Delta, por esse consórcio extraordinário."
Dilma classificou o teleférico como um símbolo do PAC. Segundo ela, a obra beneficia uma população que foi abandonada por muitos anos.
Mesmo com o Alemão ocupado por tropas do Exército e pela polícia desde o final do ano passado, Cabral disse que a cultura do tráfico ainda não deixou a região. "Não vamos nos iludir. Aqui ainda há ameaças. Mas desde a pacificação, só houve dois homicídios. Isso é um padrão de primeiro mundo", disse.