A história do futebol define como grandes clássicos mundiais os jogos do Brasil contra Argentina, Itália, França, Alemanha e Inglaterra. Os confrontos com Holanda e Uruguai também são movidos por forte rivalidade. Todos adversários temíveis. Nenhum, porém, com o retrospecto recente do Paraguai. No jogo deste sábado, a partir das 16h, na cidade argentina de Córdoba, pela segunda rodada da Copa América, a Seleção Brasileira vai enfrentar exatamente quem mais vezes lhe derrotou neste século.
Nos últimos 11 anos, o Brasil perdeu quatro vezes para o Paraguai e acumula três resultados negativos, no mesmo período, em confrontos com Argentina, França e México. Esses números ajudam a entender a tensão do técnico Mano Menezes e de vários jogadores brasileiros depois do fracasso da equipe na estreia da Copa América - 0 a 0 com a Venezuela, no último domingo. Assim, para terminar a segunda rodada praticamente livre da ameaça de uma eliminação precoce no Grupo B da competição, a Seleção precisa vencer os paraguaios neste sábado.
Além da vitória, a Seleção Brasileira sabe que precisa mostrar um futebol convincente. Contra a Venezuela, o renovado e jovem time formado por Mano Menezes não levou nenhum perigo ao goleiro adversário durante todo o segundo tempo - no primeiro, esteve um pouco melhor, mas nada empolgante. O quarteto habilidoso e promissor de ataque, formado por Neymar, Ganso, Alexandre Pato e Robinho, não funcionou e desapontou muitos torcedores.
Após o fiasco inicial, Neymar não brincou mais com o topete de Robinho e Ganso parou de pular sobre os ombros de Alexandre Pato, entre outras brincadeiras tão comuns nos treinos da Seleção na Argentina. Enfim, o grupo deixou de lado a descontração, característica marcante da equipe na primeira semana de treinamentos na cidade de Campana.
A tendência é que o mais recente algoz da Seleção Brasileira busque o jogo aberto, a fim de se recuperar também de um tropeço - vem de empate contra o Equador na estreia. Mano Menezes aposta nisso e prevê uma partida mais emocionante neste sábado, possivelmente com alguns gols - produto raro ultimamente nos jogos do Brasil (a defesa está invicta há mais de 360 minutos, enquanto a rede do lado oposto só balançou três vezes em seis partidas).
"Por tradição, o Paraguai vai atrás da vitória. Vamos assim ter mais espaços para criar", disse Mano Menezes, que deu sinais de irritação em duas entrevistas coletivas durante a semana. A Copa América é o seu primeiro teste pela Seleção em competições oficiais. Apesar das promessas do presidente da CBF, Ricardo Teixeira, de que o torneio não vai ter influência na sequência do trabalho visando ao Mundial de 2014, ele sabe o rumo tomado por Vanderlei Luxemburgo e Emerson Leão logo após dois insucessos do futebol brasileiro.
Em 2000, Luxemburgo, até então definido pela CBF como o técnico do Mundial de 2002, acabou demitido quando a Seleção foi eliminada na Olimpíada de Sydney. No ano seguinte, Leão teve o mesmo destino ao comandar uma campanha desastrosa na Copa das Confederações disputada na Coreia do Sul e Japão. Curiosamente os dois treinadores viveram o dissabor no período em que o Paraguai começava a se impor como o vilão da Seleção Brasileira. Portanto, no jogo deste sábado, em Córdoba, Mano Menezes se sentirá bastante aliviado se Neymar, Ganso, Robinho e Pato voltarem a brincar depois do jogo.