Contratar médicos para a rede municipal de Saúde, há tempos, vem sendo um verdadeiro desafio para a Prefeitura de Bauru. No entanto, após muitas tentativas frustradas de concursos públicos com pouquíssimos candidatos, a administração conseguiu atrair 26 inscritos a clínicos geral no processo realizado no mês de maio desse ano. Desse total, 13 foram aprovados, mas, estranhamente, apenas um foi chamado para assumir a vaga até agora.
A informação foi confirmada pelo secretário de Saúde, Fernando Monti. O titular da pasta, porém, garante que já solicitou a convocação dos demais profissionais e aguarda a autorização do chefe do Executivo, Rodrigo Agostinho (PMDB), para que os médicos sejam, finalmente, contratados. "O prefeito está de acordo e, em breve, os aprovados vão assumir seus trabalhos na rede", garante.
O estranhamento na lentidão ao chamar esses médicos se dá justamente pela clara demanda de profissionais na rede, escancarada de forma rotineira em reportagens que relatam os problemas nos serviços de Saúde. A justificativa de Monti é de que, para contratar, é necessário especificar onde exatamente existe a necessidade do médico, além de providenciar a estrutura física adequada para a atuação desses profissionais.
Reportagem publicada em novembro do ano passado, no Jornal da Cidade, revelou que, com a inauguração das Unidades de Pronto Atendimento (UPAs) ao longo de 2011, a administração precisaria contratar, no mínimo, mais 50 médicos para que o sistema de saúde não entrasse em colapso. Antes disso, porém, o déficit atual de vagas já era igual a 70.
Nos bastidores dos setores, comentários dão conta de que a intenção da Secretaria de Saúde em reduzir a velocidade das contratações de aprovados nos concursos poderia ser utilizada como uma forma de pressionar pela criação da Fundação Regional de Saúde, que permitirá a contratação de profissionais sob o regime CLT, sem estabilidade, a partir de processos seletivos. A hipótese, porém, é rechaçada pelo secretário. "Se isso tivesse alguma relevância, seria irracional termos aberto concurso público para médicos nesse ano", pontua Monti.
Com ou sem terceiras intenções, o fato é que, segundo o próprio titular da pasta da Saúde em Bauru, duas UPAs (Mary Dota e Bela Vista) estão prestes a serem inauguradas e precisam de profissionais. A solução de Fernando Monti para o impasse? Abrir mais concursos públicos.
O secretário acredita que o município não terá dificuldades em atrair interessados para ocupar as vagas, mesmo tendo que ter prorrogado em duas semanas o prazo de inscrições para obter sucesso no processo. Na primeira data apenas três concorrentes haviam confirmado participação no concurso. "Quando não há interessados, prorrogar inscrições não surte efeitos. O primeiro prazo tinha sido muito curto", ponderou Monti.
Na ocasião, a assessoria de imprensa da prefeitura chegou a divulgar que os vencimentos iniciais de um médico na rede municipal de Bauru poderia superar R$ 16 mil, caso o profissional cumprisse carga horária de 40 horas semanais, além de oito plantões extras de 12 horas ao longo de um mês.
PCCS e plantões extra
Fernando Monti classificou o último concurso público para médicos do município como o mais bem sucedido desde que assumira a Secretaria de Saúde. Para ele, as novas grades salariais do Plano de Cargos Carreiras e Salários (PCCS) para os funcionários das pastas e a alterações do valor pago pelos plantões extras são os elementos que contribuíram para a atração de um número maior de candidatos no mês de maio.
Em abril desse ano, pressionada pela categoria médica, a administração dobrou o valor pago aos médicos pelos plantões extras, passando de R$ 600,00 a R$ 1.200,00 por cada 12 horas. O sistema de saúde se tornou dependente da realização desses plantões justamente pelo déficit de profissionais no município. Com a deficiência, o plantão virou regra e uma forma de elevar os vencimentos.