O velho ditado já dizia: a união faz a força. E foi com esse pensamento que centenas de funcionários de órgãos públicos federais de Bauru decidiram montar o evento "Arraiá Solidário", há quatro anos. Desde então o projeto só cresce, e neste ano foram arrecadados R$ 51 mil que foram entregues ontem, em um cheque simbólico, a 20 entidades assistenciais de Bauru no espaço Café Com Política do Jornal da Cidade.
O "Arraiá Solidário" é uma festa fechada realizada por funcionários dos órgãos federais de Bauru: INSS, Assenag, Banco do Brasil, Correios, Receita Federal, Polícia Federal, Ibama, Sesi, Senac, Senai, Ministério do Trabalho, 6ª CSM do Exército, Fundação Nacional de Saúde (Funasa) e Associação Paulista de Cirurgiões Dentistas de Bauru (APCD). Neste ano o evento reuniu mais de 4 mil participantes e praticantes da solidariedade.
As entidades selecionadas por um sorteio para dividirem a verba arrecadada com a festa foram: Comunidade Bom Pastor, Fundato, Creche São Judas Tadeu e São Dimas, CAADH, Projeto Caná, Acaê, Paiva, Creche Doce Recanto, Lar Santa Luzia para Cegos, Casa do Garoto, Abrec, Creche Rainha da Paz, Creche São Paulo, Vila Vicentina, Creche Unidos para o Bem, Afapab, SanCristo, Profis e Creche Antônio Pereira.
O diretor financeiro da Associação das Entidades Assistenciais e Promoção Social (Aeaps), Paulo Bufeli, agradeceu mais uma vez a iniciativa dos funcionários. "Temos que destacar que os funcionários se mobilizaram para montar essa festa que, a cada ano, consegue ajudar mais entidades. Em 2010 reunimos 3.500 pessoas e este ano mais de 4 mil", destacou.
Corações solidários
Josué Lopes Moreira Filho, gerente executivo do INSS de Bauru, ressalta a importância de unir corações solidários.
"Essa atitude é muito importante e estamos aperfeiçoando cada vez mais o evento, pensando em ajudar quem mais precisa e não tem tantas condições. A iniciativa é tão boa que outras cidades estão querendo copiar nossa ideia", diz.
Além disso, a junção da força tarefa de pessoas empenhadas em ajudar ao próximo repercute, mesmo que os funcionários mudem de emprego, por exemplo, ou de cargo.
"O gostoso é que a partir desse processo a ideia continua. As pessoas acabam se envolvendo e se, por exemplo, eu não estiver no ano que vem, outro estará mesmo assim", frisou.
O superintendente regional do Banco do Brasil em Bauru, Evandro Baldin Dias, concorda. "Tenho como exemplo o meu caso. No ano passado não era eu, mas mesmo sem ele eu continuei (a ação). Assim acontece com todos os funcionários", disse.
Uma das coordenadoras da festa, Josiane Targa, que trabalha na área de responsabilidade sócio-ambiental dos Correios de Bauru, estava eufórica com o prazer de ajudar as entidades.
"Nós começamos a organizar essa festa em abril. Não é só uma reunião de funcionários e de famílias, é muito mais. Posso dizer que o que faz esse evento crescer não é só a solidariedade, mas também a transparência de quem faz essa festa acontecer".
Em 2008, a primeira edição do "Arraiá Solidário" arrecadou R$ 18 mil, em 2009 foram angariados R$ 37 mil, em 2010 o montante foi de R$ 45 mil e, neste ano, as doações somaram R$ 51 mil.
Entidades
Os representantes de cada entidade beneficiada pelo evento solidário esperavam ansiosos o momento da entrega do cheque simbólico. A assistente social Lícia Gelsi, do Projeto Caná, que atua no Núcleo Ferradura Mirim atendendo 190 crianças e adolescentes, expressa a importância da verba adicional.
"Nós recebemos verba do município, mas só para coisas urgentes. Computadores, materiais para as oficinas, entre outras coisas adicionais, nós conseguimos com essa verba extra, que é essencial para mantermos o projeto funcionando".
O Projeto Caná oferece oficinas diversas às crianças e adolescentes que frequentam as atividades, no horário contraposto ao escolar. As sextas-feiras são especiais para eles. São os dias em que acontecem as oficinas de ballet, street dance, informática, teatro, pintura e argila.
A presidente do Lar Santa Luzia para Cegos de Bauru, Nilce Regina Capasso Canavesi, explica que essa verba auxilia muito nos inúmeros gastos extras da entidade.
"Nós oferecemos alfabetização em braille, informática. E para isso precisamos manter os computadores e pagar profissionais. Essa verba adicional também será investida para a nova sede que queremos criar e para a sala de atividades de vida diária onde os deficientes visuais aprendem a arrumar a cama, a andar por um quarto, guardar coisas em um guarda-roupas, esquentar comida em um forno micro-ondas", disse.