Com três plantas em Bauru, o Grupo Tiliform iniciou recentemente as operações de sua quarta unidade. Especializada em confecção de embalagens flexíveis, a empresa tem capacidade para produzir 300 toneladas mensais. Ricardo Coube, presidente do grupo, revela que apesar de ambiciosa, a decisão de investir em nova área foi caminho natural do mercado.
"Pela primeira vez em 83 anos, a família vai trabalhar com outra coisa além de papel", diz. Já planejando a expansão da unidade, ele calcula que em dois anos a planta atingirá a capacidade máxima de produção e precisará de área para a expansão. Apesar do grupo já possuir os espaços para isso, ele informa que os terrenos estão emm áreas de Bauru atingidas pela Lei do Cerrado. Por isso, pede atenção ao poder público. "Bauru já chegou ao limite em áreas para o setor industrial."
O plástico das embalagens flexíveis ainda não fazia parte da atuação do grupo, que há 23 anos produz formulários contínuos, rótulos e bobinas. Porém, Coube informa que a decisão de partir para essa nova área foi baseada nas possibilidades de crescimento. "É um mercado muito atraente e, ainda ligado ao setor de comunicação gráfica, que cresce no mundo inteiro", afirma.
O diretor avalia que a nova unidade não está distante das irmãs gráficas. "Há uma sinergia entre elas, uma vez que todas envolvem impressão", pondera. No entanto, reconhece que é um novo mundo a ser explorado pelo grupo. "É completamente diferente, com clientes novos, negócios novos. Mas estamos muito empolgados", define.
A nova unidade, instalada no Jardim Colonial, está em produção há dois meses e já conta com clientes de peso. Nesta semana, representantes de setores ligados à indústria de Bauru, da Câmara Municipal e autoridades da cidade conheceram as novas instalações. O prédio foi construído seguindo normas técnicas rígidas, uma vez que boa parte de sua produção se destina ao mercado alimentício. São 2.200 metros quadrados de construção, com um pé direito de oito metros de altura. "E projetamos um crescimento muito rápido. Imaginamos que em dois anos o prédio já estará pequeno", revela Coube.
As máquinas adquiridas para confeccionar as 300 toneladas diárias de embalagens empregam tecnologia de ponta. E o processo da impressão foi desenvolvido a ponto de economizar até cinco horas na produção dos impressos. Para isso, clichês são preparados antecipadamente e a troca das camisas da impressora, que chegam a levar três horas, é feita em um hora na unidade.
A impressora principal é de tecnologia italiana e foi montada em São Paulo. Já laminadora e a responsável por cortas as embalagens são espanholas e foram montadas no Rio Grande do Sul. Para evitar falhas, todo o processo é acompanhado por câmeras monitoradas por técnicos e a correção de impressão é feita em tempo real, sem necessidade de suspender a produção.
Grupo pede atenção para liberação de área
O presidente do Grupo Tiliform, Ricardo Coube, relata que a nova unidade, a quarta do grupo, deve atingir produção máxima em dois anos. Porém, mesmo sendo motivo para comemorar, o desenvolvimento previsto gerou alerta. Ele ressalta que as outras três plantas já estão no limite operacional e, em dois anos, a nova também chegará ao máximo. Ou seja, o grupo já precisa expandir.
Apesar de já ter áreas próprias na região do Núcleo Habitacional Octávio Rasi, o grupo não poderá investir nos locais, pois está impedidas pela Lei do Cerrado, tipo de vegetação encontrada em parte dos lotes. No dia 15 de junho, o Jornal da Cidade publicou reportagem informando que 30 empresas esperavam liberação de áreas na cidade. Por conta das leis de preservação, o Distrito Industrial 2, por exemplo, possui áreas que não podem ser alteradas. "Bauru está se engessando", avalia Coube.
Ele pontua que a questão é política e precisa ser definida. "É um desafio bom. E nos colocamos à disposição para conversar e tentar resolver. Se não houver uma solução, a cidade pode parar, pois está no limite de sua capacidade industrial quando falamos de áreas", avalia.