Rio - A Polícia Civil realizou ontem a reconstituição da ação policial ocorrida no dia do desaparecimento de Juan Moraes, 11 anos, na favela Danon, em Nova Iguaçu, Baixada Fluminense.
Um dos objetivos era analisar uma contradição inicial no depoimento dos PMs suspeitos no caso - que foram afastados do 20.º Batalhão de Mesquita e transferidos para o Quartel General. A reconstituição não havia terminado até o começo da noite de ontem noite.Juan ficou mais de duas semanas desaparecido após um suposto confronto entre PMs e traficantes na localidade. Seu corpo foi localizado às margens de um rio na Baixada e enterrado anteontem.
Uma fonte da Polícia Civil disse à reportagem que PMs suspeitos afirmaram inicialmente que Weslley, 14 anos, irmão de Juan, trocou tiros com a polícia, assim como Wanderson dos Santos de Assis, 19 anos, e Igor de Souza Afonso, 17 anos. O último morreu no local.
Ainda segundo a fonte, em outro depoimento foi negado que Weslley estivesse armado e tenha entrado em confronto. Todos os policiais negaram ter visto Juan no local.
"Vamos analisar se haverá novamente essa contradição. Apenas dois PMs participaram do confronto na subida do morro. Os outros dois não atiraram, mas investigamos a suspeita de ocultação de cadáver por parte dos quatro", disse a fonte.
Incluído em um programa de proteção a testemunhas, Weslley não participou da reconstituição. Coube a Wanderson Assis e a outras testemunhas dar detalhes aos peritos. Assis, que também está no programa de proteção, chegou de cadeira de rodas e ficou com o rosto coberto.
O advogado dos militares, Edson Ferreira, disse que não vai se pronunciar porque foi nomeado ontem e ainda estava se inteirando dos fatos.