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Revolução é reverenciada pela PM

Luiz Beltramin
| Tempo de leitura: 2 min

Uma solenidade especial marcou, ontem de manhã, a celebração ao 9 de Julho, feriado estadual que homenageia o movimento revolucionário constitucionalista de 1932. A cerimônia foi realizada no quartel do 4º Comando de Policiamento do Interior (CPI-4), sediado em Bauru.

Cerca de 200 policiais militares participaram da formatura, com marchas e hinos alusivos à revolução. A solenidade ainda contou com a participação de integrantes do Corpo de Bombeiros, policiamento aéreo, ambiental e demais grupamentos da PM

A cerimônia, também prestigiada por familiares dos policiais perfilados, teve ainda a presença de parentes dos voluntários engajados na Revolução Constitucionalista. Marília Guedes de Azevedo Pallota estava entre eles. Emocionada, ela lembrou a trajetória do pai, o professor e voluntário constitucionalista Durval Guedes de Azevedo, que morreu em 1982.

Marília lembra que tinha dois anos na época em que o pai, ao lado do irmão Everaldo, deixou Bauru e foi para o front de batalha na região do Vale do Paraíba, a espera das tropas governistas que chegariam do Rio de Janeiro. Ela conta que, enquanto pai e tio lutavam na revolução, as mulheres e demais familiares de voluntários bauruenses se reuniam para cooperação mútua e, principalmente, rezar pelos combatentes.

Durante a solenidade, Marília comentou que muita gente ainda desconhece o real sentido da data. O feriado, decretado em 1996 pelo então governador Mário Covas, para a filha de ex-combatente da revolução ainda é mal interpretada por muitos, que, erroneamente, consideram o movimento como separatista.

"A revolução é confundida com uma ação de separação, e não é nada disso", completa o tenente-coronel José Humberto Nardo, comandante interino do CPI-4. Conforme o oficial, a história da "guerra paulista" precisa ser melhor esclarecida. "O mais bacana é que foi uma revolução marcada pela união de classes, faixas etárias e sexos", enaltece o oficial.

?Guerra paulista?


O movimento armado que reuniu civis e militares paulistas insurgiu conta o governo de Getúlio Vargas que havia chegado ao poder dois anos antes, também por meio de um levante: a Revolução de 1930, caracterizada por um golpe militar. O movimento de 1932 foi denominado constitucionalista porque as tropas do Estado de São Paulo queriam a promulgação de uma nova Constituição para o País. O levante teve como estopim o assassinato de quatro estudantes, no Centro da Capital paulista, por tropas federais. O acrônimo MMDC, com o nome das vítimas, Martins, Miragaia, Dráusio e Camargo, deu origem ao nome do movimento insurgente contra o governo federal. Os restos mortais dos jovens estão sepultados no mausoléu do obelisco do Ibirapuera, em São Paulo.

Apesar de não ter conseguido destituir a Ditadura Vargas, o movimento, que recebeu esse nome por ter sido deflagrado no dia 9 de julho de 1932, conseguiu feitos importantes, considerado como vitória por muitos participantes e descendentes, como o anúncio da Constituinte e eleições. Cerca de 830 combatentes morreram entrincheirados em cidades de todo o Interior paulista. Dos mortos, mais de 600 eram de São Paulo.

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