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Ensinamentos de filhos para os pais

Ana Paula Pessoto
| Tempo de leitura: 3 min

A conhecida cena dos pais ensinando os filhos deixa de ser tão comum quando o assunto é o mundo virtual, cheio de segredos quase indecifráveis para os adultos, mas muito simples para as crianças que parecem nascer dominando a tecnologia e se transformam em professores dos pais, avós, tios...

Quando o assunto é tecnologia, o advogado José Antônio Milagre é perito especializado em segurança da informação, mesmo assim, não domina as redes sociais e sistemas operacionais como a filha Stephanie Milagre, de 10 anos. Em casa é ela quem tira as dúvidas do pai. "Como meu tempo é raro, recorro a ela para me explicar como algumas coisas funcionam no nosso computador pessoal Macintosh, por exemplo", conta Milagre.

Incentivada pelo mundo do pai, que muitas vezes trabalhou com a filha no colo quando ela ainda era bebê, Stephanie conta que aprendeu "fuçando", enquanto o pai precisou de cursos para se aperfeiçoar. "Na escola eu tenho aulas de informática, porém, ao contrário das outras matérias, vejo o que já sei".

Recursos para montagens de vídeos, fotos, textos, redes sociais como Orkut, Facebook, Twitter, além de consultas e pesquisas no Google ou Youtube fazem parte da rotina diária de Stephanie. "Gosto não só de fuçar na net, mas também nos programas mais avançados de informática para aprender cada vez mais. Hoje, não dá para viver sem informática e Internet. Precisamos para tudo".

O gosto pela tecnologia é tanto que a menina nem ao menos se imagina longe dela, ou melhor, se diz desconectada do mundo. Assim como para as amigas da mesma idade, a Internet é também um ponto de encontro e debate. Desde uma sorveteria que elas adoraram ou uma loja que atendeu mal, tudo está lá, compartilhado nas redes sociais.

Na hora da leitura, os livros de aventura dão lugar à literatura de gente grande que ela mostra com orgulho à reportagem: "Estou lendo um livro sobre criminologia e outro sobre investigação e perícia forense computacional", revela. E em meio a tamanho interesse por tecnologia, não é difícil descobrir qual é a profissão que Stephanie quer seguir: "Perita criminal", afirma.

Pequeno "rei" dos games


Futebol, vôlei, artes marciais, dança e brincadeiras de super-heróis são comuns para crianças de qualquer geração, certo? Sim. Porém, para a geração high-tech, as brincadeiras tradicionais ganham ares futuristas no mundo virtual e, sem bolas ou redes reais, por exemplo, o jogador usa seus movimentos corporais em frente a uma tela de TV ou computador, "encarna" os personagens e se vê jogando.

Davi Giliote de Oliveira Levorato praticamente nasceu em meio aos jogos eletrônicos. Hoje, aos 10 anos, o garoto está em seu quinto videogame, o Kinect, um game de última geração que dá vida aos jogos e permite aos jogadores interagir sem um controle/joystick, utilizando um sistema de sensor que capta os movimentos corporais.

"Estou sempre por dentro das novidades quando o assunto são jogos eletrônicos. Muitas vezes compro antes mesmo de serem lançados. Também monto bonecos, os avatares, e vendo pela Internet para outras crianças. Recebo moedas virtuais, as habbo moedas, ou troca de favores", explica Davi.

Como o novo game propicia a prática de exercícios físicos, o menino conseguiu perder cinco quilos jogando e reeducando sua alimentação. E na hora dos esportes virtuais, a avó Maria Luiza Giliote também entra em quadra: "É divertido e até educativo. Não permitimos que ele jogue games violentos e, com esses jogos mais modernos, ele não fica apenas sentado".

Sempre antenado com os avanços e inserido no mundo tecnológico, Davi ganhou seu primeiro celular aos 4 anos de idade, mas prefere se comunicar através da Internet, pelo MSN, por exemplo. "É mais divertido e, assim, também economizo créditos de celular. A Internet me fascina tanto que eu gostaria de ser um hacker para ajudar as pessoas que são prejudicadas por crimes eletrônicos", confessa.

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