Estar ao ar livre ou viajar a terras distantes. Essas foram as opções mais votadas entre 800 crianças, de 8 a 13 anos, de quatro países: Brasil, Argentina, França e Reino Unido, quando perguntadas sobre quais atividades que sonhavam em fazer. O estudo denominado "Tente Algo Novo", foi realizado em 2010, com crianças, acompanhadas dos pais, e analisou os sentimentos que pais e filhos compartilham ao dar às crianças a oportunidade de experimentar algo completamente novo.
O estudo, encomendado por Omo e coordenado por Jerome e Dorothy Singer, professores de psicologia da Universidade de Yale, serviu de base para o lançamento da arena itinerante que a marca vem realizando em uma cidade de cada região do Brasil.
Após passar pelas primeiras cidades sorteadas, Curitiba e São Paulo, com atividades diferentes, a terceira arena foi montada na cidade de Ceilândia (DF) com o nome de ?Casa dos Sabores?. Na atividade, uma criança indicada pelo sorteado com cinco amigos foi convidada a preparar uma casa de sabores real, com o desafio de montar toda a sua estrutura e decorá-la com diversos tipos de materiais como bolos, caldas e doces.
Para Marilena Flores Martins, presidente da Associação Brasileira pelo Direto de Brincar (IPA Brasil), atividades como essas casam muito com o que as crianças atualmente necessitam ? o brincar criativo e não estruturado que, segundo ela, acontece quando as crianças aprendem por meio da exploração, criação, descoberta, relacionamento e interação com o mundo. "Ter contato com esse brincar e com novas experiências é fundamental para o aprendizado, para a solução construtiva de problemas e para habilidade de autocontrole. E, na verdade, elas anseiam por isso. Tanto é que, ao serem perguntadas sobre o que desejam fazer, a maioria responde viajar ou cuidar de animais no zoológico e não jogar vídeo game ou ver TV", ressalta.
Brincar fortalece o autoconhecimento
O brincar criativo requer um leque de oportunidades para o crescimento infantil muito maior que o tangível na visão dos pais. Na percepção de Marilena Flores Martins, presidente da Associação Brasileira pelo Direto de Brincar (IPA Brasil), atividades como a montagem da Casa dos Sabores é um exemplo de brincadeira que fortalece o processo de autoconhecimento uma vez que, nela, a criança exercita o seu papel dentro de um contexto e trabalha sentimentos como ceder e compartilhar, habilidades importantes para o futuro. "Uma brincadeira onde o seu filho precisa ser parte de um grupo e, com esse grupo, se unir para um determinado fim, pensar em conjunto, interagir com os limites um do outro, não é uma atividade sem resultados. Os desmembramentos disso são positivos e até mesmo inesperados É brincando e fantasiando que a criança dá continuidade ao seu processo de desenvolvimento, adquire conhecimento, desempenha papéis sociais e interage com o mundo ao seu redor, com os seus valores, regras e até mesmo constrangimentos. Os pais precisam estar atentos à importância dessas atividades e esquecer as preocupações com sujeira ou eventuais riscos que podem ocorrer nessas ocasiões", frisa. Utilizando ainda como exemplo a Casa dos Sabores, Marilena Flores alerta para o papel do imaginário infantil nas atividades de recreação traçando um comparativo entre a atividade realizada na arena e a história de João e Maria com a casa de guloseimas da bruxa má. Segundo a especialista, as histórias infantis e o brincar de faz-de-conta são uma rica fonte para o aprendizado de valores, uma vez que quando se vive diferentes papéis, a criança se exercita para colocar-se no lugar do outro, mesmo em uma brincadeira simbólica. Neste caso ainda, ao mesmo tempo, foram estimulados nas crianças outros sentidos como o olfato, a visão e o paladar. "Por meio de uma brincadeira deliciosa, os participantes foram levados a descobertas do dia a dia. Pais e educadores precisam entender que a criança tem grande capacidade de absorver as mais complexas informações de uma forma lúdica e prazerosa", completa.