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Boas memórias políticas

Ricardo Coube
| Tempo de leitura: 2 min

Quero abordar uma passagem recente da história a fim de resgatar virtudes deste passado próximo e que nossa memória apaga com facilidade. Lembro-me das condições políticas em que Itamar Franco assumiu este País no início dos anos 90. Itamar sucedeu Collor que foi de-posto pelo Congresso após uma série de escândalos e confrontos com a classe política. Por sinal, Collor foi cassado porque não tinha base aliada no Congresso. Este é um dos principais papéis das bases aliadas, ou seja, proteger políticos corruptos de cassação. Collor, o caçador de marajás, representa um dos piores momentos da história política e econômica deste País. Temos tantas memórias curtas que ele está aí de volta como se nada tivesse acontecido. Itamar herdou um País com inflação de mais de 2.000% ao ano. A economia estava fragilizada em função de um processo de abertura econômica brusca e não planejada. Mercado interno enfraquecido e sem capacidade de exportação.

Era um caos! E Itamar conseguiu juntar cabeças brilhantes em torno de um sociólogo, chamado Fernando Henrique Cardoso, e estancou todo o processo econômico com o plano real. Esta obra de engenharia econômica é uma das obras mais brilhantes e reconhecidas em todo o mundo. Se não fosse um sociólogo coordenando o grupo, teríamos o plano real? O resultado do plano foi tão bom e rápido que Itamar elegeu o seu sucessor, ou seja, o ministro da Economia, que era o sociólogo responsável pelo plano real. Além disso, Itamar resgatou um estilo político sério, de cabeças brilhantes nos ministérios, economia estável e baixa inflação e, desde então, experimentamos um processo de crescimento e aperfeiçoamento do modelo econômico e político do País. Fernando Henrique continuou com o estilo Itamar, aperfeiçoando-o e corrigindo premissas importantes para a estabilidade duradoura e que ancoram nossa estabilidade e instituições políticas e econômicas até hoje. O populista Lula mudou radicalmente o estilo anterior e deixa para a presidente Dilma um legado político difícil de ser administrado e controlado, pois o vício político da barganha é muito forte. Entretanto, Dilma está muito mais para o jeito Itamar de ser. Itamar cometeu seus pequenos deslizes. Comparado aos que temos hoje, são desprezíveis. Quando enfrentou denúncia de assessor afastou-o do cargo imediatamente. Desconhece-se denúncias que afetaram a sua imagem política.

Importante é lembrar que Itamar foi o presidente do Plano Real. Esta obra da engenharia econômica foi possível pela equipe que ele juntou e pela ousadia de delegar para o amigo sociólogo Fernando Henrique a coordenação e implantação do plano, que é o berço e a base do desenvolvimento e crescimento dos últimos 16 anos. Collor também tentou e foi um enorme fracasso. Referenciar Itamar é obrigação de todos os cidadãos que acreditam num país moderno, democrático e competitivo. E que Dilma siga os bons exemplos de Itamar no sentido de trabalhar com uma equipe capaz e talentosa.

O autor, Ricardo Coube, é diretor do Grupo Tiliform,articulista de Opinião

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