Em seu artigo do Jornal da Segunda Feira (de 4/07), sob o título "Ecologia da boca para fora", o ilustre e consciente jornalista João Jabbour, após abordar com bastante propriedade as discrepâncias e contradições que caracterizam os temas ecologia e sustentabilidade, evidenciando a sua incredulidade, coloca para reflexão a seguinte questão: por que será que o homem, sabendo e defendendo a preservação da natureza, age ao contrário? Sabendo que não deve e não pode, não faz o que apregoa ou defende. Realmente é um ponto para reflexão, porque será que tendo consciência de que um dia em um futuro não muito re-moto sofrerá as consequências do que faz no presente, continua fazendo. Realmente, por que o homem age de tal modo, agredindo a mãe natureza e também, direta ou indiretamente, o próprio homem, o semelhante dentre os quais estão sua esposa e seus filhos, sua família, seus descendentes?
Assim como para mim é difícil encontrar uma resposta, tenho certeza de que, com aqueles que procuram respostas, as incertezas e dúvidas são as mesmas. Será uma forma de egoísmo, personalismo, autoafirmação ou aquele velho chavão "de que comigo não acontece mas sim com o outro?" O homem sabe muito bem de que para o que faz agredindo e desafiando a mãe natureza receberá uma resposta. Seu ato é comparável com um bumerangue, estica, atira e se contrai. Corroborando com a decepção do articulista, ressalto o absurdo de que tais atos de agressões não partem ou emanam dos menos esclarecidos, mas dos mais esclarecidos e conscientes, muitos dos quais portadores de diplomas de nível superior. São estes que, possuidores das terríveis motosserras, determinam o corte de milhares de árvores; donos de tratores enormes que puxam correntões de toneladas derrubam implacavelmente florestas sempre justificando necessidade para alguma cultura ou criação. Sempre existe uma justificativa. Quem já teve a oportunidade de presenciar a ação destruidora dos tratores e correntões vendo árvores tombarem, animais e aves em desespero, ja-mais esquecerá esse triste testemunho.
Ninguém poderá negar as grandes mudanças que estão ocorrendo na natureza e que estão por vir, queiramos ou não, dependendo da vontade e ação do homem. A propósito de tudo o que escreveu o jornalista, também tenho uma colocação ou reflexão a fazer ou apresentar. Entendível no início, porém, irrespondível no final. Eu, você, leitor, jornalista João Jabbour, moramos em uma casa ou apartamento, em determinado endereço. Se não estivermos satisfeitos, por qualquer motivo que varia de morador para morador, resolvemos mudar para outra casa ou apartamento, em outro endereço. E mudamos. Se, ainda não estivermos satisfeitos, por qualquer outro motivo ou razão poderemos mudar de cidade. Se ainda não estivermos satisfeitos poderemos mudar de Estado ou de país. Existindo anda motivo poderemos mudar de continente ou hemisfério. Mas aí está a grande questão. Se após todas as mudanças efetuadas, de ca-sa ou apartamento, de endereço, de cidade para cidade, de país para outro país, de hemisfério ou continente, para onde nos resta mudar? Enfim, quando não houver mais condições de vida em nosso planeta terra, para onde o homem mudará?
O autor, Joaquim Eliseo Mendes, é professor