Botucatu - A Polícia Federal (PF), com apoio da Delegacia da Receita Federal, desarticulou na manhã de ontem, dentro da operação "Mundo Virtual", uma quadrilha que comercializava produtos eletrônicos de origem estrangeira pela Internet. Quatro homens e duas mulheres, todos de Botucatu, foram detidos e conduzidos à sede da PF em Bauru. Três deles, que seriam os ?cabeças? do esquema ilegal, devem ficar presos temporariamente por cinco dias. Outros três foram ouvidos e liberados.
Segundo a polícia, além do contrabando e venda de produtos eletrônicos pela rede mundial de computadores ? sobretudo de informática ? o mesmo grupo é acusado de importar e distribuir cigarros estrangeiros de forma irregular. As empresas responsáveis pela venda, legalmente constituídas, não tiveram os nomes divulgados.
Em cinco meses de investigações, a polícia constatou a existência de diversas pessoas envolvidas no esquema ilegal. Cada uma delas, de acordo com o delegado Gustavo Pachioni Martins, responsável pelas investigações, tinha funções definidas, desde o transporte e guarda até a distribuição das mercadorias contrabandeadas.
"Eles distribuíam as tarefas", revela. "Eles organizaram um site na Internet para poder promover a venda de mercadorias estrangeiras. E essas mercadorias eram contrabandeadas, vinham, normalmente, do Paraguai. Eles se valiam de diversos fornecedores, que foram identificados no curso da investigação".
Numa primeira etapa da operação, 12 pessoas foram presas em flagrante. Além disso, foram apreendidos cerca de 450 mil maços de cigarros contrabandeados, diversos veículos, medicamentos de uso proibido, equipamentos eletrônicos, dinheiro, rádios comunicadores e uma arma de fogo com registro irregular.
Ontem, em uma segunda fase da operação, várias equipes da Polícia e da Receita Federal foram até Botucatu para cumprir mandados de prisão temporária e de busca e apreensão expedidos pela 2ª Vara Federal de Bauru. Entre os envolvidos, de acordo com Martins, estão representantes de empresas da cidade.
"São proprietários dessas empresas, as pessoas que assessoravam eles e funcionários também, que tiveram sua prisão decretada para poder esclarecer o que cada um teve de participação", revela.
Durante toda a manhã, os seis detidos prestaram depoimento na Delegacia da Polícia Federal. À tarde, três deles foram liberados. "Os três principais identificados, que são os donos realmente, os que comandavam as condutas, tiveram a prisão de cinco dias decretada", explica.
"Os três que tinham uma participação acessória, que não se viu elementos para a manutenção da prisão deles, já tiveram a prisão decretada por apenas um dia. Por isso, eles foram ouvidos, esclareceram o que era pertinente, e não houve a necessidade de mantê-los presos".
De acordo com o delegado, as investigações prosseguem para que a Receita Federal possa apurar os valores que o grupo arrecadou ilegalmente e calcular os tributos que foram sonegados. "São pessoas que já se conheciam há vários anos, atuavam no ramo de comércio clandestino há vários anos", declara.
Todos os envolvidos no esquema ilegal poderá responder pelos crimes de formação de quadrilha ou bando e contrabando ou descaminho, cujas penas variam de 1 a 4 anos de reclusão. Após a conclusão do inquérito, os autos serão encaminhados à 2ª Vara Federal em Bauru.