Desorganização popular, pouca participação e palanque político para pretensos candidatos à vereança não são os únicos elementos presentes nas plenárias do Orçamento Participativo (OP), organizadas pela Secretaria das Administrações Regionais (Sear) nos bairros. Falta jeito, bom senso, jogo de cintura e capacitação para o comando da pasta gerenciar as reuniões com os moradores.
Ontem, em mais uma plenária para colher as reivindicações e ouvir as reclamações dos moradores sobre a execução do Orçamento da Prefeitura de Bauru, realizada no Núcleo Mary Dota, o secretário interino da Sear, Miguel Hernandes, confundiu conceitos como bom senso, boa liderança e organização no trato com os populares.
Após uma apresentação ineficiente sobre as diretrizes do próprio Orçamento Participativo, o comandante interino da Sear evidenciou as fragilidades no cumprimento dos objetivos do próprio encontro e a falta de jeito para lidar com a plenária. O auge das intervenções sem propósitos aconteceu quando uma candidata a delegada no OP ousou pedir ao secretário tempo para se apresentar e elencar propostas para ser eleita como representante dos moradores daquela região.
"Marciano não vem aqui se candidatar, nem astronauta", respondeu Miguel Hernandes ao microfone. A "falta de jeito" na condução dos trabalhos da plenária foi repreendida por outro candidato logo em seguida. "Aqui não tem marciano, mas essa reunião vai continuar sendo um circo", reclamou Rafael Santana.
O impasse naquilo que deveria ser a plenária para ouvir os moradores sobre suas reivindicações ao "Orçamento Participativo" só foi contornado porque um assessor da Sear foi ao ouvido do secretário e ponderou que fixasse tempo para as apresentações, mas as permitisse. Miguel Hernandes recuou e fixou dois minutos para a fala de cada um dos candidatos a delegado pelos bairros da área. "Quer que debata, vamos debater", lançou.
Após a votação, em que Elizabeth Storto e Maria Leal foram eleitas delegadas titulares, Hernandes justificou ao JC que se não tiver pulso firme as plenárias ficam desorganizadas, com tumultos e até disputa política. Questionado por que não buscou orientação junto ao governo para se preparar na condução das reuniões, já que os encontros aconteceram nos anos anteriores, Hernandes insistiu que as dificuldades refletem a fragilidade de organização dos moradores. "Nas outras plenárias foi muito pior, teve gente que pegou o microfone e tumultuou, virou disputa política e tem gente que falou por mais de 20 minutos. Se abrir para falar, vira palanque. Os moradores precisam se organizar melhor", apontou.
As reivindicações
Enquanto a Sear tentava realizar a plenária, os representantes das organizações sociais da região do Mary Dota apontaram ao JC as prioridades para o Orçamento. Paulo Ferreira, da Associação Comunitária do Mary Dota, reforçou que eles insistem na abertura de uma rua, atrás da Escola Ada Cariani. "É uma viela que precisa ser aberta como rua. Hoje não tem iluminação e virou questão de segurança, com o local sendo ocupado por jovens para prática de sexo e também tem consumo de drogas. É o que os moradores daqui mais cobram", citou.
O presidente da Associação Comercial dos Empresários do Mary Dota, Fábio Xavier da Silva, acrescentou que o fluxo intenso de trânsito na avenida Marcos de Paula Rafael pede um semáforo em cada um dos sentidos. "A Emdurb disse que vai realizar a pesquisa de tráfego e que tem de atingir 600 veículos por hora em cada sentido. Também reivindicamos que a varrição na avenida, onde se concentra boa parte do comércio, seja permanente e não eventual, que não precise mais de ofício para fazer a limpeza", citou. Nos formulários preenchidos pelos próprios moradores, o tema segurança apareceu em vários requerimentos, além da fiscalização mais firme por sujeira em terrenos.