O Brasil deve reduzir a dependência da importação de fertilizantes até 2016, quando grandes projetos de empresas como Vale, Petrobras, Galvani, Copebrás etc, estiverem em operação, mas ficará ainda bem longe da autossuficiência, segundo diagnóstico apresentado por Mario Alves Barbosa Neto, presidente da Anda e diretor-presidente da Vale Fertilizantes, durante o 1º Congresso Brasileiro de Fertilizantes, nesta semana em São Paulo. "Há limitações de recursos naturais, problemas tributários e de infraestrutura e logística", enumerou.
Dados mostrados por ele indicam que nos próximos cinco anos, o País deve reduzir a dependência das importações de fósforo de 49% para 12% e, de nitrogênio, de 78% para 33%. Por falta de jazidas economicamente viáveis no País, a dependência de potássio importado vai continuar alta, acima dos 80%. Esses porcentuais devem ser realizados se todos os projetos em curso forem executados e a demanda crescer como esperado, ressaltou.
Dos três principais insumos, o nitrogênio é o que tem melhor perspectiva de aumento de oferta por causa dos projetos de gás natural em curso no País. O mais problemático é o potássio.
"Até hoje não conhecemos jazidas economicamente viáveis que permitam reduzir nossa dependência", afirmou o presidente da Anda. Há uma jazida sendo explorada pela Vale Fertilizantes, em Sergipe. O executivo disse que há reservas no Amazonas e um projeto de termopotássio sendo desenvolvido em Minas Gerais. "Mas eles não resolvem o problema brasileiro".
Mario Barbosa afirmou que o potássio que a Vale Fertilizantes está explorando em Mendoza, na Argentina vai ser direcionado para o Brasil.
Outro fator que deve evitar que o País chegue a níveis maiores de suficiência em fertilizantes é o aumento da demanda, que vai ser expressivo nos próximos anos, lembrou Benedito da Silva Ferreira, diretor do departamento de Agronegócios da Fiesp.
"Estamos realizando um estudo sobre a demanda no País até 2025 e já podemos dizer que o consumo adicional de fertilizantes será enorme nos próximos anos. Será improvável atingir a autossuficiência. Se chegarmos a 60% ou 65% de produção nacional nos dois principais insumos (nitrogênio e fósforo) já vai estar muito bom", considerou. Dados apresentados pelo presidente da Anda mostram que, enquanto a demanda no mundo deve crescer 3,3% ao ano, no Brasil o avanço será de 5,5% até 2019.
Além dos recursos naturais limitados, Mario Barbosa e outros participantes do evento citaram logística e problemas tributários, que encarecem o transporte de fertilizantes dos centros produtores no Brasil para outras regiões, em especial Nordeste e Sul.
Num exemplo mencionado no congresso, por ser isenta de ICMS a tonelada de fertilizante importado com preço FOB de US$ 1.110 em Paranaguá chegaria a Uberaba, em Minas Gerais, valendo R$ 1.195 a tonelada, enquanto o produto nacional, que recolhe o imposto, chegaria a US$ 1.295 ao mesmo destino. "Frete e isonomia tributária são essenciais para manter a competitividade da produção nacional", afirma Barbosa.