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A tomada da Bastilha

Maria Luiza Ferreira
| Tempo de leitura: 3 min

No dia 14 de julho, ontem, comemorou-se 222 anos da revolução francesa. O rei de direito divino Luís XVI foi literalmente um descabeçado. Era classificado pelo povo francês de complacente, pusilânime e traidor. A rainha Maria Antonieta era carinhosamente chamada pela mãe de "cabecinha de vento" e pelo povo de frívola e adúltera. Inocente ou não, também foi guilhotinada. Tadinha.

Naquele século XVIII, os 26 milhões de franceses da cidade e do campo, empobrecidos e oprimidos com tantos impostos exorbitantes (no Brasil essa prática continua atuante), revoltados, resolveram dar um basta aos privilégios do clero e da nobreza. Resumindo essa parte trágica da história, dizem que mais de 1.000 cabeças rolaram. Com o fim da mo-narquia, foram abolidos, entre outros privilégios, o regime feudal. A França livre dos parasitos que infestavam a nação se tornou um país democrático com o legado fundamental: Liberdade, Igualdade e Fraternidade.

No Brasil, em pleno século XXI, onde reina a hipocrisia e o deboche, o legado continua sendo: imunidade, impunidade, desigualdade e desonestidade. No passado, nenhum governo brasileiro se interessou em copiar o estilo rococó muito chique usado na época da realeza, mas copiou e aperfeiçoou as safadezas dos nobres. Não importou guilhotinas para punir os corruptos porque aqui não daria certo. Com filas quilométricas de lesas-pátrias tipo "carne de pescoço", mesmo com lâminas bem afiadas e besuntadas com óleo de peroba o carrasco morreria de exaustão. É claro que esse método foi no passado. Hoje o corrupto deve ser processado e obrigado a devolver o dinheiro roubado aos cofres públicos.

Fosse o Brasil um país democrático, não haveria censura nem voto obrigatório. Para conquistar o eleitor, o candidato deveria ter curso superior, boa conduta, provar não ter um passado nebuloso e até dançar o rebollation. Quando o eleitor não vota é punido severamente. Quando vota, mas o seu candidato depois de eleito se envolve em maracutaias, este não é punido e sim beneficiado com cargos de confiança.

Com os raposões geneticamente autodidatas em falcatruas, saberá que para assaltar os cofres públicos não precisará usar dinamite e aprenderá como ficar milionário se coçando. Se for acusado por suspeita de enriquecimento ilícito, estelionato, formação de quadrilha, quebra de sigilo bancário, desvio de verbas públicas até da merenda escolar, etc, basta negar, se fazer de vítima, acusar a imprensa e a oposição de perseguição e olho gordo.

Depois é só dar algumas explicações bem convincentes, que é dono de uma boiada (que ninguém sabe nem viu) e de uma empresa de consultoria chamada Ali Baba e os 40.000, fazer aquela cara de santo de pau oco que só os políticos corruptos sabem fazer nas campanhas eleitorais e jurar que parte de sua fortuna que herdou de um parente distante, o mongol Gengis Khan, seria para compra de panetones para as crianças pobrezinhas, porque está preocupado com a fome global. Absolvido pelo Conselho de Ética e o processo arquivado, é só correr para o abraço e para a pizzaria.

É um absurdo que esses senhores feudais debochados ainda terem a cara de pau de processar jornalistas, revistas e jornais que ousam publicar notícias de seus atos vergonhosos, mesmo sabendo que a liberdade de imprensa é um direito previsto na Carta Magna. É a inversão de valores, é a lei da mordaça voltando e o medo da ditadura também. No Brasil não haverá a tomada de Brasília como a Bastilha. O que o povo brasileiro deseja é a mudança das leis urgentemente e que permaneça para o futuro desse país tão maravilhoso, o legado: Liberdade, Igualdade, Fraternidade e Honestidade.

A autora, Maria Luiza Ferreira, é artista plástica e mora em Jaú

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