A insuficiência de bolsas de sangue em estoque obrigou o Hospital Beneficência Portuguesa a suspender algumas cirurgias eletivas para evitar a falta do produto em casos de emergência. Na situação mais crítica enfrentada pela unidade nos últimos dois anos, o volume de bolsas disponíveis no banco de sangue caiu para cerca de 100, quando o ideal seriam, no mínimo, 400.
Além da Beneficência, o serviço abastece também os hospitais da Unimed de Bauru e Lins, São Lucas de Bauru e Prontocor. Por este motivo, algumas operações que não inspiram tantos cuidados e que podem ser adiadas estão sendo remarcadas para que o banco não fique totalmente desguarnecido.
"Uma cirurgia plástica agendada, por exemplo, está sendo desmarcada. Não era nosso objetivo, mas estamos priorizando para evitar uma situação limite. Contudo, continuamos atendendo os casos de urgência e as cirurgias de primeira necessidade marcadas com gestantes e crianças", detalha a coordenadora do banco de sangue da Beneficência Portuguesa, médica Cláudia Mariana Soares Assato.
Até o momento, entretanto, a informação é de que apenas as cirurgias na Beneficência vem sendo suspensas. No Hospital da Unimed em Bauru, o estado é de alerta, mas uma campanha foi lançada entre os quase mil funcionários para tentar socorrer o serviço. Como amanhã o banco funcionará em horário especial para receber doações, trabalhadores da unidade hospitalar devem comparecer para ajudar a repor voluntariamente os estoques.
De acordo com Cláudia, o frio associado ao período de férias é o grande responsável pela baixa de doações em julho. "É a época mais crítica, que só perde para as férias de final de ano. No inverno, aumenta a incidência de infecções respiratórias e, como agravante deste ano, tivemos uma epidemia de dengue. Os doadores de afastaram", lamenta.
Para a coordenadora, o fato de o banco estar vinculado a uma instituição privada também acaba gerando certa confusão entre alguns doadores, o que colabora para derrubar o número de colaborações. "Existe uma crença de que o sangue serve para ser comercializado dentro do hospital, o que não é verdade. Da mesma forma que no hospital público, as bolsas servem para salvar vidas e nenhum paciente paga por elas. As regras são as mesmas", frisa.
Hemonúcleo
Para se ter uma ideia, no Hemonúcleo de Bauru, por exemplo, ainda não houve insuficiência de bolsas de sangue neste ano, ainda que a média diária de doadores tenha caído de 70 para 50 neste mês. Atualmente, o estoque se mantém com cerca de mil bolsas, o suficiente para o consumo dos hospitais do Sistema Único de Saúde (SUS) de Bauru abastecidos por ele.
"Estamos com os estoques regulares, em condições de atender as necessidades atuais. Mas também estamos enfrentando a baixa sazonal de doadores. A médio prazo, se continuarmos com este ritmo de doações, passaremos a ter uma dificuldade para abastecimento", observa a médica Telma Cristina de Freitas, diretora do Hemonúcleo de Bauru. Em anos anteriores, segundo ela, a unidade também já precisou cancelar cirurgias eletivas por baixas no estoque.
Para tentar repor as bolsas em falta no banco de sangue da Beneficência Portuguesa, o serviço realizará plantão na manhã de hoje, das 7h às 12h. Doações também podem ser efetuadas durante a semana, das 7h às 16h.
Para participar, é preciso ter entre 16 e 68 anos, pesar mais de 50 quilos, estar em boas condições de saúde e descanso, estar bem alimentado, não ter feito uso de medicamentos específicos e apresentar documento oficial de identidade com foto. Menores devem estar acompanhados de um responsável. O voluntário não pode ter contraído hepatite após os 10 anos de idade, ser portador de hepatite B, hepatite C, aids ou usuário de drogas.
? Serviço
O Banco de Sangue do Hospital Beneficência Portuguesa fica na rua Rio Branco, 13-83, andar UA. O atendimento ocorre de segunda a sexta-feira, das 7h às 16h. Excepcionalmente hoje, atende das 7h às 12h. Mais informações podem ser obtidas pelo telefone (14) 3223-6933.