Após quase um mês depois de minha carta sobre sacolas plásticas, fui surpreendido pela resposta do sr. João Alvares, colocando-me como inimigo do meio ambiente. Na minha carta, em nenhum momento fui a favor das sacolas plásticas. Apenas sugeri que os recursos destinados à produção das mesmas fossem direcionados para pesquisas e produção de sacolas biodegradáveis práticas e baratas. Uma solução definitiva.
O projeto que proibiu seu uso só foi sancionado após uma bem orquestrada e silenciosa campanha da associação em cima dos vereadores paulistanos. O prefeito apenas aprovou na íntegra a minuta do projeto oriundo da Câmara. Proibiu e ponto final. Simples, não? Como o sr. pode ver, o projeto tem como alvo principal os supermercados, pois eles são responsáveis por 93% das sacolas distribuídas. A estratégia é a preocupação com o meio ambiente. Se assim fosse, teriam interesse nas pesquisas de sacolas biodegradáveis. Não vamos nos iludir achando que estão preocupados com a salvação do planeta. Trata-se apenas de redução de custos.
O sr. esqueceu de mencionar o problema do lixo doméstico. Como resolveria esse pequeno inconveniente sem o uso de sacolas biodegradáveis? Caixa de papelão é inviável com o lixo úmido; usar sacolas plásticas também não, pois seria trocar seis por meia dúzia.
Voltar a usar aquelas latas que exalavam mau cheiro, atraíam insetos e que tantos problemas causavam aos lixeiros? Latões com tampas estariam fora do alcance de grande parte da população. Como o sr. pode ver, a solução sempre volta para as biodegradáveis, a não ser, é claro, que proponha para o lixo o uso de sacolas retornáveis.
E agora, João?
Israel Martins