Nova York - O agravamento da crise europeia, agora deflagrada na Itália, é mais um teste para a capacidade das economias emergentes, como Brasil, China e Índia, de manter o forte ritmo de crescimento.
Mesmo que os países da zona do euro atravessem os próximos anos sem dar calote na dívida, a região deve passar por um longo período de avanço econômico anêmico, resultado dos ajustes nas contas.
E o impacto de uma Europa fraca não é pequeno para a economia global. Juntos, os 17 países que usam o euro como moeda representam 19% do PIB mundial e, ainda mais importante, foram responsáveis por mais de um quarto das importações do mundo em 2010.
Some-se a isso o fato de a economia americana continuar capenga, e crescem as dúvidas se, sozinhos, os emergentes conseguirão liderar a retomada global como fizeram em 2010 e devem fazer, ainda que em um ritmo mais moderado, neste ano.
"A economia não é mais tão dependente dos EUA e da Europa como há dez, 20 anos, mas a crise dos países ricos aumenta as exigências para que os emergentes assumam a liderança que americanos e europeus não desempenham mais", diz o dinamarquês Jacob Funk Kirkegaard, especialista do Peterson Institute, em Washington.
Ele, porém, afirma ter dúvidas se China, Índia e Brasil estão dispostos a assumir esse papel. "Isso é desestabilizador para a economia global. Corremos o risco de, em vez de termos um G7 ou um G20, terminarmos com um G0."
E o cenário pode piorar. Para Uri Dadush, diretor do Bird na década passada, se o mercado perder a confiança na Itália, o mundo pode rumar para um "novo Lehman Brothers", em referência ao banco que faliu em 2008 e levou a economia global à pior crise em mais de 60 anos.
"China e Índia, que têm menos ligações com o sistema financeiro mundial, podem sentir menos que o Brasil, que tem outros problemas, como a valorização da moeda", disse Dadush.