Meio lugar comum esse nome "Mundo Virtual" de operação da Polícia Federal. Geralmente esses nomes são mais elaborados. Faltou inspiração na hora de batizar a operação, uma pena. Quanto às férias de meio de ano nas creches, apesar de dificultar as coisas para algumas famílias, é compreensível e é contornável. Meu filho, por exemplo, participa do curso de férias de outra escola nesse período. Em julho e em dezembro, ele revê os colegas e as professoras da outra escola, e também passa mais tempo com os avós. Para cada mês que ele completa na creche, eu penso dez vezes em pedir demissão para cuidar somente dele.
Quando precisei voltar da licença maternidade, eu pensava nisso dez vezes por hora. Conversando com meu marido e amigos, entendemos que eu faria mais por meu filho trabalhando e trazendo renda e conforto para casa. Em dias úteis, passo com ele o começo da manhã, o fim da tarde e a noite, e hoje posso ver que é o suficiente para que ele aprenda comigo todas as coisas mais importantes da primeira infância: obedecer os pais, não morder os colegas, alimentar-se bem, higienizar-se, dormir na hora certa e respeitar os mais velhos. E entre as certezas absolutas que ele já tem, a primeira é de que eu o amo louca e perdidamente, e que faço qualquer coisa por ele.
Mesmo sendo difícil conciliar trabalho, família e contas, ainda assim nada justifica o abandono e a violência contra crianças.
Bebês sendo encontrados no lixo, abuso sexual por parte de familiares, essas notícias são de embrulhar o estômago. Ainda bem, de vez em quando, apostadores acertam sozinhos a mega-sena, príncipes se casam, e atletas brasileiros vencem equatorianos. Ninguém ia aguentar tanta notícia ruim.
Cláudia Fukumoto Uehara