Polícia

Motos são 65% dos veículos furtados

Vitor Oshiro
| Tempo de leitura: 5 min

Baratas, mais econômicas frente às constantes altas dos preços de combustível e ágeis no trânsito de Bauru cada vez mais conturbado por conta da crescente frota, as motocicletas multiplicam-se a cada dia pelas ruas da cidade. Porém, é também por todas essas razões que elas passaram a ser mais visadas pelos bandidos. Segundo 4.º Batalhão da Polícia Militar do Interior (BPM-I), do total de veículos furtados no primeiro semestre deste ano, 65% são motocicletas.

De acordo com os dados, foram levados 308 veículos, sendo que, desse montante, 202 são motocicletas. Os meses mais "lucrativos" para os bandidos foram janeiro e fevereiro, com cerca de 48 motocicletas levadas em cada um deles. As estatísticas mostram, entretanto, que o número vem diminuindo. Em junho, o total caiu para 20.

O capitão Paulo César Valentim, comandante do comitê de furtos de veículos da PM de Bauru, explica que o número de furtos a motos no primeiro semestre realmente chamou atenção. Segundo ele, mais do que a facilidade de levar o veículo, o nicho econômico encontrado pelo mercado de peças ilegais (popularmente conhecido como mercado negro) e a quantidade de motos na cidade contribuem para esse aumento.

"As motos inteiras são praticamente ?depenadas? e as peças são vendidas. A única coisa que os bandidos não aproveitam são as partes identificáveis, ou seja, partes numeradas. O resto eles desmontam e vendem de forma criminosa", explica.

Para exemplificar a relação diretamente proporcional da quantidade de veículos e dos furtos, Valentim explica que os locais de maior ocorrência do crime são a área central de Bauru e os distritos industriais. "São pontos com muitas motos estacionadas. A primeira por ser o Centro da cidade e, o segundo, por haver um grande número de pessoas que trabalham nas empresas e deixam as motos estacionadas. Muitas fábricas não possuem estacionamento fechado e os bandidos se aproveitam disso", comenta.

Outro ponto que chama atenção é o modelo da motocicleta. O capitão explica que, como o objetivo do furto é o desmonte e a comercialização ilegal das peças, as motos mais visadas são exatamente as mais vendidas atualmente.

"A grande maioria dos registros são daqueles modelos que possuem maior fatia no comércio. Quanto mais unidades daquele modelo estiverem em circulação, mais fácil será vender a peça retirada daquela motocicleta furtada", ressalta.

Cuidados


Apesar dessas características e do mercado criminoso que envolve as motocicletas, há ainda um outro problema que influi diretamente para que os veículos de duas rodas sejam furtadas: a prevenção ? ou falta dela ? por parte do próprio proprietário.

É o caso do técnico em eletrônica e telecomunicações Antônio Marcos Veraldo Júnior, 28 anos. Ele teve uma Twister 250, placas DOJ 9725, de Bauru, levada na semana passada e, conforme admite, poderia ter sido mais cuidadoso.

"Fui na casa de uma amiga no Parque Vista Alegre e deixei a moto lá fora. Poderia ter guardado na garagem, mas achei que fosse ficar rapidinho. Acabei demorando um pouco mais do que o previsto e, quando sai, a minha moto não estava mais lá", explica.

Ele, que teve a moto levada durante a madrugada da última quarta-feira, não se preocupou em instalar qualquer sistema de segurança além da trava da chave e deixou o veículo em local pouco movimentado. De acordo com o comandante do comitê de furtos de veículos da PM, capitão Paulo César Valentim, esses cuidados são fundamentais.

"O proprietário deve sempre parar em estacionamentos fechados ou locais iluminados. Se possível, manter contato visual com a moto. E o mais importante é ampliar a segurança. Existem equipamentos, como alarmes e travas de roda, que dificultam a ação dos bandidos", alerta o capitão.

Além dessas medidas, ele aconselha a nunca deixar o documento no veículo, algo que pode ser decisivo na localização da moto furtada.

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Grupo especializado


Apesar da grande quantidade de motos furtadas, a PM acredita que o responsável pelos crimes seja um grupo especializado agindo na cidade. "Creio que são poucas pessoas fazendo muitos furtos. Estamos trabalhando para pegá-las", afirma o comandante do comitê de furtos de veículos da PM, capitão Paulo César Valentim.

Ele exemplifica a hipótese aventada com o caso dos furtos de automóveis verificados no ano passado. De acordo com o capitão, "havia um grande número desse tipo de crime. Quando o grupo foi preso, isso diminuiu bastante. Acredito que seja o mesmo que ocorra agora com as motos".

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Agilidade em prol do crime


Há algumas motos, entretanto, que não têm como destino o desmonte. São utilizadas como transporte em ações criminosas. Exatamente pelas características, na maioria dos casos de assalto registrados na cidade, as motos são usadas para as fugas.

"Como o trânsito em Bauru está crescendo, o marginal sabe que tem maiores chances de fugir com uma moto. Ele ?costura? o trânsito com ela e consegue se evadir com mais facilidade. Por isso, vemos muitos roubos nos quais os bandidos fogem utilizando essas motocicletas", acrescenta o capitão da PM Paulo Valentim.

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Polícia fiscaliza e pede ajuda da população


Hoje, a Polícia Militar confirma que uma das grandes preocupações em Bauru é o furto de motocicletas. Por isso, frequentemente, são montados bloqueios para tentar localizar esses veículos, como foi a operação "Cavalo de Aço", entre quinta e sexta-feira da semana passada.

"A polícia faz o acompanhamento diário das estatísticas. Quando algo destoa do comum, concentramos a atenção nesse ponto. Hoje em dia, fazemos bloqueios quase diários para tentar coibir o furto de motocicletas e também agimos diretamente nos desmanches na tentativa de encontrar peças de origem criminosa", explica o comandante do comitê de furtos de veículos da PM, capitão Paulo César Valentim.

Entretanto, ele pede a ajuda da população, uma vez que muitos quadros ? as partes numeradas das motos ? são abandonados em terrenos baldios. "Quem vê-los, pode denunciar. As pessoas também sabem quem tem moto. Se, em um bairro, perceber um adolescente de moto só no fim de semana ou desconfiar de algo suspeito, pode acionar a polícia que verificaremos. O sigilo da denúncia é garantido", conclui.

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