Internacional

Chefe da polícia de Londres renuncia por vínculo com Murdoch


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Londres - O chefe da Polícia Metropolitana de Londres, Paul Stephenson, renunciou ontem, após denúncias de que tinha ligação direta com um ex-editor do tabloide "News of the World", do magnata da mídia Rupert Murdoch, suspeito de ter pago propina a policiais em troca de informação.

O comissário-chefe foi duramente criticado nos últimos dias por sua ligação com o ex-editor do "News of the World" Neil Wallis, preso nesta semana em meio às investigações do escândalo. Stephenson teria contratado Wallis como consultor de relações públicas da polícia por um ano, até setembro de 2010.

Wallis trabalhou como editor adjunto do tabloide em 2003, junto com o ex-diretor Andy Coulson, antes de ser nomeado diretor executivo em 2007.

Em uma declaração pública, Stephenson defendeu suas ações e diz que seus encontros com Wallis, a quem conheceu em 2006, são de registro público. Disse ainda que a relação foi mantida apenas "por propósitos profissionais".

Ele nega ainda que tenha exercido qualquer papel na contratação de Wallis pela polícia londrina.

"Eu ouvi críticas de que nós deveríamos ter suspeitado do suposto envolvimento de Wallis nas escutas telefônicas. Deixe-me dizer inequivocamente que eu não tinha razão alguma para fazê-lo. Eu não ocupava uma posição no mundo do jornalismo. Eu não sabia da extensão desta prática desgraçada e da repugnante natureza da seleção de vítimas que está emergindo agora e nem de seu aparente alcance a níveis altos".

Ele fez uma declaração pública na qual defendeu seu comportamento no cargo e explicou que sua renúncia visa a evitar prejuízos para a ampla investigação policial sobre os grampos e escutas ilegais feitos pelo tabloide britânico, além das denúncias de suborno.

"Não é hora de especulação. Mesmo uma pequena especulação sobre meu envolvimento é prejudicial (à investigação)", disse Stephenson, acrescentando que recebeu apoio do governo e que sentirá falta de "muitas coisas".

Ontem, alguns meios britânicos publicaram que Stephenson passou cinco semanas em um balneário de luxo e a conta teria sido paga por um jornalista.

A polícia afirma que a fatura foi paga pelo gerente do local, mas não explicou o motivo do generoso presente.

Stephenson reagiu ainda à critica de que a polícia não investigou a fundo as denúncias de grampo da primeira vez que surgiram, em 2006.

Com o agravamento da crise, diante de denúncias de que as escutas ilegais tiveram como alvo também vítimas de crime, familiares de soldados mortos em guerra e até mesmo um primo do brasileiro Jean Charles de Menezes, especula-se que Stephenson e outros trabalhavam para evitar que os grampos fossem investigados a fundo.

"Eu não tinha conhecimento ou envolvimento na investigação original dos grampos em 2006, que levaram de maneira bem sucedida à condenação e prisão de dois homens. Eu não tinha razão para acreditar que foi qualquer coisa que não uma investigação bem sucedida. Eu não sabia que havia quaisquer outros documentos em nossa posse da natureza que surgiram agora", disse.

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Ex-executiva é liberada


Londres - A ex-presidente-executiva da News International Rebekah Brooks deixou a delegacia de Londres pouco depois da meia-noite (horário de Londres). A executiva foi detida ontem após comparecer voluntariamente à delegacia da capital britância para prestar depoimento sobre o escândalo de grampos e escutas ilegais que teriam sido utilizados pelo tabloide "News of the World".

A informação foi publicada pelo portal de notícias do jornal britânico "The Guardian". Especula-se que ela tenha saída após pagar fiança, mas a informação não foi confirmada. Segundo o site, Rebekah foi solta após prestar esclarecimentos por mais de 12 horas sobre o escândalo que abalou a mídia no país.

Chefe do braço britânico do conglomerado de mídia do magnata Rupert Murdoch, o News Corporation, Brooks foi detida sob suspeita de conspirar para interceptar comunicações e também corrupção.

Considerada uma "filha postiça" de Murdoch, a prisão de Brooks leva as investigações sobre o "News of the World" para o círculo íntimo do magnata da mídia.

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