Há alguns anos venho acompanhando o Conselho Tutelar e suas conselheiras, sempre me surpreendendo com as omissões e a falta da presença efetiva em situações de extremas emergências de proteção às crianças e adolescentes de nossa cidade.
Tentei acreditar que um dia esse grupo que corre tanto atrás das entidades em busca de votos para as funções do cargo pudesse ofertar ações, gestos e trabalhos eficazes àqueles que tanto precisam e merecem ter uma tutela digna, responsável e no momento certo.
Infelizmente ou felizmente, nunca esperei na minha entidade uma solução dos conflitos familiares e sociais de nossos alunos deficientes mentais. Cansada de agilizar e acionar esse conselho, praticamente inexistente, eu mesma buscava caminhos alternativos e, com meu próprio carro, corria atrás da criança ou do adolescente onde ele estivesse. Não ficava ligando para ninguém ou esperando ter plantonista, veículo, fax, computador ou bicicleta.
Depois de buscar nossas próprias estratégias e expedientes improvisados, eu resolvia os assuntos altamente complexos de nossas crianças e adolescentes e até dos idosos. Um dia, numa reunião com a Secretaria do Bem-Estar Social, na Apiece, relatei o que eu e a secretária voluntária da entidade Fabiana Teófilo vivenciamos no Parque Santa Cândida, saída pela estrada Bauru/Marília, com dois irmãos, um aluno do CEJA (Centro Educacional de Jovens e Adultos) e outro da entidade, uma das façanhas mais difíceis e tristes, no enfrentamento da miséria, do desamor familiar e da dependência nas atividades do dia a dia de nossos meninos. Responderam-me que a minha ação poderia ser considerada um tanto invasiva... O que imediatamente retruquei: antes ser invasiva do que omissiva. Daí todo mundo entendeu a história.
Pediria aos responsáveis pela administração do Conselho Tutelar que repensassem nessa instituição sem sustentabilidade alguma e sem funcionários que tomem iniciativa, "levando mensagem a Garcia", pois com carro ou sem carro o pagamento cai na conta todo mês e antes até do vencimento, pois o nosso grande e jovem prefeito sabe da importância de um salário na vida do trabalhador. Mas até onde aprendi, o salário existe pela prestação de serviços, o que não é o caso do referido Conselho e o que não funciona não pode ser remunerado. Constitui desvio de verba.
Caros leitores do JC, precisamos extinguir tudo que não funciona na nossa amada Bauru, para que ela progrida e preserve seu "status? de cidade "franca e altaneira", como prega o Hino a Bauru. Veja a Cohab, por exemplo, não constrói casas, não faz mutirão e gasta uma fortuna por mês. Sugiro que os vereadores publiquem por dever e ética os gastos desse segmento, inclusive as despesas de viagens de sua diretoria. Será tão interessante, aliás, o presidente viaja tanto que parece até empresa turística.
Cortemos gastos inúteis, jovem prefeito de Bauru, hoje e também do futuro.
Catarina Carvalho