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Dr. Automóvel: Fixação de equipamentos e carga

Consultoria: Marcos Serra Negra Camerini*
| Tempo de leitura: 4 min

Época de férias, de viagens e descanso. A maioria sai de casa e pega a estrada para qualquer outro lugar diferente de sua rotina. Parece ser só alegria, mas aí é que mora o perigo. De que jeito está preparado para encarar a viagem? Acomodou bem a bagagem? Planejou tudo ou vai sair na aventura pura com a família?

Como nosso enfoque é mais técnico e menos filosófico, não vou me ater a detalhes organizacionais da viagem, isso fica por conta e risco de cada um. Só lembro para sempre usar o bom senso antes de fazer algo que envolva outras pessoas. Escolher bem o caminho a ser percorrido, identificar paradas em postos para reabastecimento do veículo e descanso do motorista e dos passageiros de tempos em tempos, prever horários de saída e chegada, informar outros de seus planos, levar ferramentas, água e algo para comer básico (biscoitos, banana) para o caso de ficar parado na estrada por período mais longo do que o esperado, enfim se prevenir para o eventual. Lembre-se da Lei de Murphy: "Se algo tiver a mínima chance de dar errado em algum momento, certamente dará errado e no momento em que causar o maior prejuízo..."

Voltando ao lado técnico, vamos nos focar nos equipamentos que instalamos externamente aos veículos, como bagageiros, carretas, etc. Antes da viagem, se esta for para algum lugar turístico que precise de equipamentos extras como bagageiros e reboques, verifique cuidadosamente sua instalação no veículo. Em carros e picapes, precisa ter um engate de bola instalado na traseira do veículo, de modelo adequado para ele e certificado pelo Inmetro, com a instalação elétrica no padrão DIN de fiação, para que todos os elementos óticos de iluminação da carreta estejam sincronizados com os do veículo e acendam simultaneamente.

Em motos, a instalação de um baú ou de alforjes laterais é mais complicada do que parece, pois se não for bem feita pode cair durante a viagem e causar um acidente. No caso do baú, temos outro agravante. Geralmente o baú (ou bauleto) também serve de encosto para a garupa e isto gera um esforço a mais no equipamento, um momento fletor sobre a base do bagageiro da moto. Se a base do baú não tiver uma compensação estrutural (escora) adequada para suportar este esforço adicional, o bagageiro poderá se romper durante a viagem e jogar tanto o baú quanto a garupa na estrada. Por isso sempre recomendo que se instale um baú ideal (em forma, fixação e capacidade de carga) para cada moto. É melhor distribuir a carga em 3 malas menores (bauleto e alforjes) do que colocar tudo em um único baú enorme. E como diz meu filho Rafael, se é para levar muita bagagem, vai de carro!

Como sempre, devemos respeitar tanto as leis da Física quanto as de trânsito. Para cada ação, há uma reação contrária e na mesma intensidade. Se acelerarmos fortemente uma moto em uma arrancada, a garupa será projetada para trás pelo efeito da inércia e exercerá uma força muito maior no encosto do baú do que um simples apoio casual. Se o bagageiro não estiver fortemente ancorado, quebrará.

Em picapes, muitos levam motos na caçamba ou em carretas. Qual a forma correta de amarrar a moto para que não caia durante o transporte? Novamente a Física traz a solução. Existe um princípio chamado de "graus de liberdade de movimento" que define todas as direções em que um objeto pode se movimentar. Em nosso espaço tridimensional, nossa carga pode se deslocar linearmente para frente/trás em freadas e acelerações, para a esquerda/direita em curvas e para cima/baixo em solavancos, portanto nos 3 eixos. O mesmo ocorre rotacionalmente, quer dizer, a carga pode girar ou tombar nestes mesmos 3 eixos. Estes são os graus de liberdade que temos. Na prática não temos tanta liberdade assim já que temos restrições, por exemplo: na vertical para baixo não podemos ir, pois o chão nos impede. Então, precisamos amarrar a carga para conter seu movimento nos demais graus de liberdade.

O ideal é prender a moto do exemplo, puxando 2 esticadores na diagonal para frente (opostos) e outros 2 para trás, sempre de cima para baixo e nunca na horizontal. Com isto todos os movimentos ficam travados, inclusive na vertical, no caso da carreta cair em um buraco e der um solavanco, jogando a moto para cima. Isto vale para qualquer carga, inclusive dentro do portamalas. São regras simples que evitarão transtornos durante viagens de lazer ou trabalho.

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