Um rastro de luz semelhante ao que foi visto no início da noite de anteontem em Bauru também foi assistido por moradores do oeste da França e em vários pontos da Inglaterra. O fenômeno, registrado nove horas antes de o brilho ser visto no céu bauruense, foi noticiado pelo jornal Le Figaro.
Especialistas ouvidos pela publicação afirmaram que a hipótese mais provável é de que o risco iluminado tenha sido provocado pela queda de um meteorito. Em Bauru, cogitou-se a possibilidade de o fenômeno ser o rastro de um avião, um satélite ou até o ônibus espacial Atlantis, que deixou a estação na tarde de anteontem para sua última viagem de regresso à Terra.
Na França, testemunhas relataram ter visto uma enorme bola de fogo - inicialmente branca e depois vermelha - que percorreu o céu em alta velocidade, explodiu e sacudiu residências. Pesquisadores explicaram que a luz branca intensa corresponde à entrada do meteorito na atmosfera. Ao ultrapassar as camadas mais densas e entrar em contato com os gases do ar, as forças de atrito teriam aquecido a pedra, fazendo com que entrasse em combustão.
"Quando um meteoro entra na atmosfera, sua velocidade é bem superior a do som. Em seguida, desacelera rapidamente e pode voltar à velocidade do som, causando uma onda de choque", afirmou ao Le Figaro o diretor de estudos e informações sobre os fenômenos aeroespaciais não identificados (Geipan), Xavier Passot.
Embora não seja possível negar ou afirmar que o brilho visto na Europa seja o mesmo assistido pelos bauruenses, os especialistas consultados pelo JC descartam que o fenômeno ocorrido na cidade por volta das 18h de anteontem seja um meteorito. Segundo o meteorologista do Instituto de Pesquisas Meteorológicas (IPMet) da Universidade Estadual Paulista (Unesp) em Bauru e presidente da Sociedade Brasileira de Meteorologia (SBMet), José Carlos Figueiredo, a trajetória feita pelo objeto - uma curva - não se assemelha à de um meteorito, que se locomove de maneira retilínea e descendente.
Por este motivo, para ele, há grandes chances de o rastro ser resultado de um fenômeno ótico provocado por alguma aeronave. "Em Bauru, o objeto fazia uma curva esquisita. Deve ter sido uma aeronave que se deslocou, formando um rastro de ar condensado. Pelo horário em que ocorreu, pode ter havido uma refração da luz do Sol nesse ar condensado e formado essa trilha brilhante", explica o meteorologista.
A observação de um meteoro em si é muito menos surpreendente. Várias toneladas de material não-terrestre, a maioria deles equivalente a um grão de areia, atravessam a atmosfera da Terra todos os dias. Mesmo os meteoros com diâmetro maior, ao entrar em contato com a atmosfera, se desintegram em partículas menores e, na maioria das vezes, atingem o solo sem nem mesmo serem notados.