O incêndio que consumiu perto de 10 hectares de área do Jardim Botânico de Bauru, registrado por volta das 16 horas da última sexta-feira, colocou em risco elevado a preservação de boa parte da reserva ecológica de 321 hectares e levou o prefeito Rodrigo Agostinho (PMDB) e interceder pessoalmente junto ao Corpo de Bombeiros.
A proporção das perdas, na avaliação tanto de integrantes da corporação que atua na eliminação e controle de incêndios quanto do Executivo realizada ontem, foi de que a reserva escapou de uma tragédia. As chamas consumiram o equivalente a 10 campos de futebol.
Os Bombeiros informaram, via central de operações, que o difícil acesso à área e a propagação rápida das chamas na braquiara (capim) bastante seca, na região que já sofre há anos invasão e degradação por posseiros, dificultaram a ação. O ataque às chamas ganhou proporções a ponto de exigir três horas de intervenções, com a ação simultânea de seis veículos no combate ao episódio.
O prefeito Rodrigo Agostinho, ambientalista, classificou a ocorrência como muito grave. "Nós tivemos 10 hectares atingidos e isso porque a ação foi rápida, apesar da dificuldade no controle da grama que já bastante seca se propagou rapidamente. Mas o Botânico em sua maior parte com cobertura de vegetação sofreu sério risco de se perder. Tivemos muita sorte em não perder quase tudo", cita.
O diretor do Jardim Botânico, Luiz Carlos de Almeida Neto, lembra que desde 2006 a reserva não sofria incêndio de proporção. "Foram três horsa ininterruptas de combate às chamas. A geada do início do mês transformou a grama que há em um longo trecho na área de reserva em fonte enorme de combustível. A proporção só não foi um ainda maior porque conseguimos controlar o fogo ainda na área gramada, por onde começou o incêndio", explica.
Segundo o registro da ocorrência, o combate teve início por volta das 16h15 da última sexta-feira e se estendeu até pouco depois das 19 horas. "A informação preliminar foi de que o fogo consumiu algo próximo de 10 hectares. Tivemos sorte de combater rápido e com vários veículos e equipes e de não ter vento induzindo a propagação do fogo. Isso ajudou a impedir que o incêndio adentrasse a vegetação arbórea", argumenta Almeida.
O diretor do Botânico avalia que o incêndio tenha origem em ação criminosa. "Historicamente, todos os incêndios na região são infelizmente criminosos. Temos problemas de acesso via estrada, mesmo fechando a entrada antiga, tem área invadida por posseiro e pessoas que acendem velas na região. De carro não entra mais, mas a pé há acesso. Vamos resolver isso com o guarda de parque, cujo concurso está sendo concluído nesta quinta-feira?, aponta.
A administração vai convocar os guardas e tentar acelerar a já prometida instalação de uma torre de observação prevista para o Botânico. "Com os guardas e a torre teremos também ronda e melhores condições de evitar novos episódios", finaliza.
Segundo o site oficial, o Jardim Botânico conta com 321m71 hectares, sendo a maior parte da vegetação distribuída em 280 hectares de cerrado, cinco de floresta estacional e cinco de floresta paludicola.
Combate por avião
A Prefeitura de Bauru está com processo de contratação por licitação em andamento para a prestação de serviços de combate a incêndio por avião. Segundo o prefeito Rodrigo Agostinho, a licitação vai gerar um estoque de 40 horas anuais de voo com esta finalidade. O registro de preços será utilizado se houver demanda. A solicitação é do Corpo de Bombeiros. "Atendemos a esta solicitação, cuja despesa está destinada ao Fundo municipal de Bombeiros. Mas as 40 horas anuais de voo só serão utilizadas se infelizmente houver ocorrência. Mas é uma ferramenta de ação que não tínhamos antes", cita Agostinho. A contratação já estava programada e não tem relação com o incêndio.