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Consciência do Princípio Cidadão

Marcos Luiz Gilioti
| Tempo de leitura: 3 min

A alusão à palavra Cidadania aparentemente nunca foi tão grande, dando a impressão de modismo. No entanto, aproveitando toda essa exaltação, não se pode deixar que essa "moda" passe, mas que realmente seja um despertar para a Responsabilidade Socioambiental, a Sustentabilidade que, aliás, são termos em alta, principalmente no meio organizacional. Apesar da ênfase nos termos, a ausência de cidadania é uma realidade constante, dando a entender que as pessoas desaprenderam e/ ou não tiveram educação para tal. A cidadania referida, não é aquela de se possuir um R.G. e cobrar seus diretos; mas sim associada à prática do Princípio Cidadão, quando se entende que "Princípio" é tudo aquilo que direciona o ser humano para um desenvolvimento saudável, por meio da prática de valores absolutos: amor, respeito, solidariedade, etc., que estruturam a cidadania.

Um grande modelo desta estrutura cidadã, e aqui não se está falando de religião, mas sim de exemplo, é o padrão de Jesus Cristo, que sempre trabalhou para reincluir as pessoas ao convívio social; como também ensinou a seus discípulos que a atitude básica de um cidadão é de serviço, não de dominação e nem de busca de proveito social. Quando realizava curas, não era para se gabar de seu poder, mas para restabelecer a dignidade às pessoas que outrora estavam destituídas socialmente. A extensão da integração é um forte artefato na prática "desaprisionadora" de Jesus. A qual, provavelmente aponta para sua proposta cidadã, de inserir os segregados. Levanta-se neste ponto uma indagação: será que nós que não temos exatamente o mesmo poder de Jesus de curar e fazer milagres reconhecemos igualmente a importância de nossos "diferentes"? Em que medida nosso procedimento como cidadão, o qual dizemos que somos, contribui para a restauração da dignidade e inclusão das pessoas socialmente excluídas?

Com base neste modelo de estrutura cidadã e a deficiência citada, formula-se uma hipótese psicológica através da Logoterapia, que de certa forma atribui a deficiência a uma ausência de Sentido. O termo "logos" significa "Sentido". Assim, a Logoterapia concentra-se no Sentido da existência humana, bem como na busca da pessoa por ele, que mergulha num vazio existencial quando não o encontra. Segundo a Logo, o ser humano é um ser integral, com Dimensões que o constitui: Biológica, Psicológica, Social e Espiritual. A Espiritual é o eixo norteador das outras por permitir ao "ser" a auto-transcendência (poder de enfrentamento) e transcendência (doação), abandonando o paradigma do individualismo, da "Lei de Gerson", reforçado pelo mundo capitalista. Esta Dimensão designa-se a "residência" dos Princípios, ou seja, do senso ético, daquilo que dignifica o ser humano. A falta de contato com ela dificulta encontrar o Sentido das coisas e da vida. Harmonizar as Dimensões é uma necessidade do ser humano, muitas vezes ignorada que precisa ser "desnublada". Por isso, realizar trabalhos que proporcione esta harmonia, principalmente do contato com a Dimensão Espiritual (como a busca pelo Criador), colaborará para que as pessoas recuperem sua capacidade de amar, trabalhar e sofrer, encontrando, assim, o Sentido, sua Missão única.

Neste âmbito, quando isto acontece, a Cidadania é recuperada, despertada, não sendo somente um comportamento "fogo de palha". Mas se verá, por exemplo, pessoas conscientes, de que jogar lixo na rua não é legal, não porque é lei, como em alguns países; mas pela compreensão das conseqüências socioambientais. Poder-se-ia ainda, citar inúmeras práticas de uma Cidadania restaurada, porém fica aqui um desafio de busca e despertar-se; como também um desafio para as escolas, empresas e outras instituições para que possam primar por esta Responsabilidade.

A recuperação da Cidadania é essencial para a reconstrução de um mundo favorável a todos; todavia, ainda temos muito a fazer, não podemos desistir; vamos lá, basta aliarmos toda a nossa teoria, nosso discurso à prática, desvinculando-se dos automatismos, condicionamentos nocivos, indo à busca do heróico ato de fazer a diferença, sendo agentes de transformação.

O autor, Marcos Luiz Gilioti, é psicólogo organizacional - e-mail: marcos@transcendencia.net - site: www.transcendencia.net

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